26 de mai de 2011

Licença maternidade


Licença maternidade (ou licença-gestante) é benefício de caráter previdenciário, garantido pelo artigo 7º, XVII da Constituição Brasileira, que consiste em conceder à mulher que deu à luz licença remunerada de 120 dias.
A mulher trabalhadora tem direito a uma licença por maternidade de 120 dias consecutivos, 90 dos quais necessariamente a seguir ao parto, podendo os restantes ser gozados, total ou parcialmente, antes ou depois do parto.
Nas situações de risco clínico para a trabalhadora ou para o feto, impeditivo do exercício de funções, independentemente do motivo que determine esse impedimento, caso não lhe seja garantido o exercício de funções e ou local compatíveis com o seu estado, a trabalhadora goza do direito a licença, anterior ao parto, pelo período de tempo necessário a prevenir o risco, fixado por prescrição médica.
Em caso de internamento hospitalar da mãe ou da criança durante o período de licença a seguir ao parto, este período será interrompido, a pedido daquela, pelo tempo de duração do internamento.
Em caso de aborto não criminoso, comprovado por atestado médico oficial, a mulher terá um repouso remunerado de 2 (duas) semanas, ficando-lhe assegurado o direito de retornar à função que ocupava antes de seu afastamento.
É obrigatório o gozo de, pelo menos, seis semanas de licença por maternidade a seguir ao parto.
A empregada deve, mediante atestado médico, notificar o seu empregador da data do início do afastamento do emprego, que poderá ocorrer entre o 28o dia antes do parto e a ocorrência deste.
A informação referida deve ser prestada com a antecedência de 10 dias ou, em caso de urgência comprovada pelo médico, logo que possível.
Tal disposição é também aplicável em situação de risco clínico, para a trabalhadora ou para o nascituro, que seja distinto de risco específico de exposição a agentes, processos ou condições de trabalho, se o mesmo não puder ser evitado com o exercício de outras tarefas compatíveis com o seu estado e categoria profissional ou se a entidade patronal não o possibilitar.
GARANTIAS Á EMPREGADA GESTANTE
É garantido à empregada, durante a gravidez, sem prejuízo do salário e demais direitos: • transferência de função, quando as condições de saúde o exigirem, assegurada a retomada da função anteriormente exercida, logo após o retorno ao trabalho;
• dispensa do horário de trabalho pelo tempo necessário para a realização de, no mínimo, seis consultas médicas e demais exames complementares.
Durante o período de 120 dias, a mulher terá direito ao salário integral e, quando variável, calculado de acordo com a média dos 6 (seis) últimos meses de trabalho, bem como os direitos e vantagens adquiridos, sendo-lhe ainda facultado reverter à função que anteriormente ocupava.
INÍCIO DE AFASTAMENTO O início do afastamento do trabalho da segurada empregada será determinado com base em atestado médico ou certidão de nascimento do filho.
MÃE ADOTIVA A partir de 16.04.2002 a Lei 10.421/2002 estendeu à mãe adotiva o direito á licença-maternidade de forma escalonada, dependendo da idade da criança adotada:
• Até 1 ano de idade: 120 dias.
• A partir de 1 ano até 4 anos de idade: 60 dias.
• A partir de 4 anos até 8 anos de idade: 30 dias.
A licença-maternidade só será concedida mediante apresentação do termo judicial de guarda á adotante ou guardiã.
AMAMENTAÇÃO
Para amamentar o próprio filho, até que este complete 6 (seis) meses de idade, a mulher terá direito, durante a jornada de trabalho, a 2 (dois) descansos especiais, de meia hora cada um.
Quando o exigir a saúde do filho, o período de 6 (seis) meses poderá ser dilatado, a critério da autoridade competente.

Da Concepção ao Parto



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A CONCEPÇÃO 
Entre 200 a 600 milhões de espermatozóides são depositados no interior da vagina, iniciando sua jornada em direção ao óvulo. Muitos sucumbem porque são mais fracos; outros se perdem no meio do caminho. Os melhores nadam, agitando suas caudas que são o seu meio de locomoção. Finalmente, o pequeno número de sobreviventes que restou daquela multidão inicial, aproxima-se do óvulo (que para ele se configura imenso).
O óvulo é cerca de 85 mil vezes maior do que o espermatozóide. Alguns tentam penetrar no óvulo. Finalmente apenas um consegue. Dá-se a fecundação.
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A fecundação (fertilização ou concepção) ocorre com a fusão ou encontro dos gametas feminino (óvulo) e masculino (espermatozóide), acarretando na constituição de uma nova célula, o ovo ou zigoto, que carrega características da mãe (óvulo) e do pai (espermatozóide).
Inicia-se, então, um processo de divisões do zigoto em 2 células, 4 células, depois 8 células e assim sucessivamente, é o começo da formação do novo ser...
É o milagre da reprodução!
No final da PRIMEIRA SEMANA após a fecundação, inicia-se o processo implantação da massa de células na parede uterina.
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O EMBRIÃO
Sabemos, hoje, que os talentos e habilidades apresentadas pelo bebê começam a se desenvolver muito antes dele nascer. Diversos estudos têm evidenciado que o embrião é um ser inteligente e muito mais complexo do que nós imaginávamos.
Na 5ª SEMANA de gestação, contada a partir do primeiro dia da última menstruação, ou seja, 3ª SEMANA após a fecundação, seu sistema nervoso começa a se formar e começam a despontar pernas e braços. Surgem, pela primeira vez, movimentos bruscos.
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O EMBRIÃO
A nutrição do embrião entre 4ª e 5ª SEMANAS de gestação é feita através da Vesícula Vitelina. Ao se completar 5 SEMANAS de gestação, há junção dos vasos do embrião com os vasos da placenta em formação, sendo o início da chamada circulação umbilical (feto-placentária).
placenta será formada por tecidos maternos e fetais (sendo um órgão misto) e será a responsável final pelas trocas entre a mãe e o bebê.
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O EMBRIÃO
Entre a 5ª e 10ª SEMANAS de gestação, os principais órgãos e sistemas do embrião se formam, e à medida que essas estruturas se desenvolvem elas afetam a imagem do embrião, que vai adquirindo figura humana.
Na 6ª SEMANA, sua boca começa a se formar e seu coraçãozinho rudimentar pode visto batendo.
O embrião mede de 4 a 9 mm. O seu coração e coluna são visíveis, assim como os brotos que formarão os braços e as pernas.
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O EMBRIÃO
Com 7 a 8 SEMANAS de gestação, o embrião é capaz de realizar movimentos muito simples.
Nesta fase, o embrião terá em torno de 2,2 cm.
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O EMBRIÃO
Com 8 a 9 SEMANAS de gestação, o embrião mede aproximadamente 3 cm e pesa cerca de 10g.
Ao final da 8ª SEMANA de gestação, os dedos já estão formados e separados, podendo ser reconhecido o punho e o cotovelo do braçinho do bebê.
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O FETO
Ao final da 10ª SEMANA de gestação, o embrião já se encontra praticamente todo formado (coração, pulmões, rins, fígado e intestinos) e tem-se início, a partir daí, do período fetal.
A partir de 10 SEMANAS de gestação, durante o período fetal, haverá basicamente a maturação e crescimento dos órgãos e sistemas do bebê.

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O FETO
O feto vive dentro de um saco amniótico contendo líquido que o envolve e o protege. Nesse ambiente flutuante e sem peso, ele se move ativamente. Com 11 SEMANAS, dentro de seu corpinho, todos os órgãos já estão no devido lugar. Tudo o que se encontra em um ser humano já está formado.
No final da 11ª SEMANA, o bebê mede cerca de 5 cm.
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O FETO
Com 12 SEMANAS, o feto mede cerca de 7 cm e pesa 14 g. A partir de 12 SEMANAS, o feto já apresenta movimentos espontâneos, embora a mãe ainda não os perceba.
A genitália externa adquire as características peculiares ao sexo genético do bebê, apesar de ainda não ser possível identificar o sexo do bebê ao ultra-som.
Crescem os olhos e as orelhas. Começa a formação dos principais ossos do corpo. Os dedos dos pés e das mãos já estão diferenciados e as suas unhas surgem.
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O FETO
Com 14 SEMANAS, o feto engole, urina, suga e treina os movimentos respiratórios para o trabalho que seus pulmões vão ter após o nascimento.
Ele mede 8 a 9 cm e pesa cerca de 28 g.
Com 15 SEMANAS o feto apresenta todos os movimentos presentes em fetos com 9 meses e mede em torno de 10 cm.
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O FETO
A partir da 16ª SEMANA, os movimentos do feto aumentam, o que é importante para o desenvolvimento dos seus músculos e ossos. Suas feições estão bem definidas e pode-se identificar o sexo do bebê nos exames de ultra-sonografia.
Seus órgãos e sistemas continuam em desenvolvimento!
Ao final da 16ª SEMANA, seu bebê medirá por volta de11cm.
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O FETO
Entre 16 e 18 SEMANAS, além de começar a fazer caretas, levantar as sobrancelhas e coçar a cabeça, ele começa a desenvolver o sentido do paladar. Nesta idade, as papilas gustativas já estão desenvolvidas.
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O FETO 
Com 19 A 20 SEMANAS seus movimentos começam a ficar mais coordenados, contrastando com os movimentos iniciais que eram reflexos mais primitivos. É capaz de ficar ereto e impulsionar o corpinho para frente.
Seu cérebro pesa cerca de 90g. Aparecem os primeiros fios de cabelo. Inicia-se a formação dovernix caseoso que é uma camada de gordura que reveste externamente o feto. Esta capa de gordura tem a função de proteger sua pele num ambiente aquático. Nesta fase o feto já pesa cerca de 300g.
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O FETO
Com 21 a 24 SEMANAS, ocorre a maturação do sistema auditivo. O futuro bebê consegue ouvir e reconhecer a voz materna. Pode até se interessar por alguns estilos musicais.
Apesar de já ser um bebê miniatura quase não há chances de sobrevida fora do útero.
Este é o período mais apropriado para a realização de uma ultra-sonografia para avaliar os detalhes do futuro bebê.
Na 24ª SEMANA seu bebê pesará cerca de 600g.
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O FETO
Com 25 SEMANAS, seu bebê está pesando, em média, 800g e as suas chances, a partir de então, caso haja um parto prematuro, começam a existir, dependendo do suporte que lhe for oferecido.
Com 27 a 28 SEMANAS, o feto pisca os olhos. Fecha os olhos quando dorme e abre-os quando está acordado. Pesa em média 1,1kg e mede cerca de 30 cm.
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O FETO
Com 30 a 34 SEMANAS, o feto continua o seu processo de crescimento e desenvolvimento. O tecido adiposo vai se formando rapidamente e torneando o corpinho do bebê.
Com 34 SEMANAS, o feto pesa em média 2,2kg e mede cerca de 40 cm.
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O FETO
Após 34 SEMANAS de gestação, o pulmão fetal já tem capacidade de sintetizar as substâncias necessárias para a respiração do bebê fora do útero. Entre 35 e 37 SEMANAS de gestação, com o aumento do seu tamanho, o feto tentará todas as posições possíveis dentro do útero até encontrar a melhor. Geralmente esta posição é de cabeça para baixo, enquanto as nádegas ocupam a parte superior do útero. Esta é a posição ideal para o nascimento. Com 37 SEMANAS de gestação, o feto tem um peso médio de 2,8 kg e 49 cm de comprimento.
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O FETO
A partir de 37 SEMANAS completas, a gestação é considerada como gestação a termo, ou seja, o feto está pronto para nascer a partir desse momento!
Seu organismo está totalmente formado e maduro. Com um peso médio de 3,4kg e comprimento de 50 cm na 40ª SEMANA, ele já não consegue se mexer muito, aguardando, na posição certa, a grande hora do nascimento!!
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SEU BEBÊ
Cada bebê é diferente do outro, trazendo consigo características da sua mãe e de seu pai!
Não se preocupe com o que fazer após o nascimento do seu neném... Só é preciso amá-lo, estar presente, atento, pois é o bebê que ensinará aos pais e sua família, dia após dia, as suas necessidades e como lidar com cada uma delas, de forma que, à medida que o bebê cresce, os pais vão aprendendo e crescendo junto com ele!!!
PARABÉNS!

Planejando a Gestação

Concepção e período fértil

período fértil é quando a mulher pode engravidar tendo relação sexual com parceiro saudável, ambos com funções reprodutivas normais.

ciclo menstrual inicia-se no primeiro dia da menstruação.
O ciclo menstrual normal dura de 21 a 35 dias e pode ser dividido entre: antes (fase folicular) e depois (fase lútea) da ovulação.
Todo mês, no início de um ciclo menstrual normal, os ovários são estimulados, havendo crescimento folicular (estruturas funcionais encontradas no interior dos ovários), iniciando-se, então, a chamada fase folicular.
Durante a fase folicular, normalmente, um folículo torna-se dominante em relação aos demais e rompe-se do corpo do ovário, liberando o oócito secundário (também chamado de óvulo), processo chamado de OVULAÇÃO.
ovulação ocorre, em média, 14 dias antes da menstruação seguinte (considerando mulheres com ciclos regulares de 28 dias).
Após a ovulação, tem-se a formação do corpo lúteo no ovário e há início da fase lútea, segunda fase do ciclo menstrual. Com o término desta fase há a menstruação, iniciando-se, assim, um novo ciclo menstrual.
O chamado período fértil é o período no qual a mulher pode engravidar caso tenha relação sexual com parceiro saudável, com funções reprodutivas normais.
período fértil varia entre 3-4 dias antes e 2 dias após a ovulação, partindo-se do pressuposto que o tempo médio de vida dos espermatozóides no trato genital feminino (após a relação sexual) é em torno de 48 a 72 horas, enquanto que o tempo de fertilidade do óvulo é em torno de 24 horas.
Assim, caso a mulher esteja planejando engravidar, é principalmente neste período que devem ocorrer as relações sexuais.
Durante a relação sexual, no momento da ejaculação masculina, o sêmen que contém cerca de 200 a 600 milhões de espermatozóides é depositado no interior da vagina. Os espermatozóides penetram no útero através do colo uterino, passando pelo canal cervical, atravessando a cavidade uterina, chegando às trompas.
Nas trompas, apenas um único espermatozóide penetra no óvulo que foi liberado pelo ovário, havendo a fecundação.


fecundação (fertilização ou concepção) é definida como a fusão ou encontro dos gametas feminino (óvulo) e masculino (espermatozóide), com a constituição de uma nova célula, o ovo ou zigoto, que carrega características da mãe (óvulo) e do pai (espermatozóide). O ovo (ou zigoto) divide-se rapidamente produzindo novas células, tendo início a formação de um novo ser!
Fecundabilidade é um termo utilizado para expressar a probabilidade de ocorrer gravidez em um ciclo menstrual sem contracepção. Estima-se que esta taxa seja de aproximadamente 25% em casais normais.
A porcentagem de mulheres grávidas após um ano de tentativa sem uso de contracepção é em torno de 85%.


O aumento da idade da mulher e do homem, as características específicas de cada casal e a freqüência das relações sexuais estão relacionadas a maior ou menor probabilidade de ocorrência da gestação.
A tranqüilidade é, no entanto, um fator de grande importância para que sua gestação se inicie e transcorra bem...
O planejamento da gestação é o melhor caminho... Pergunte, converse com seu médico e tire todas as suas dúvidas!

Duvidas freqüentes para grávidas


1) Como calcular a idade gestacional?
A idade da gestação é definida como o tempo transcorrido entre o primeiro dia da última menstruação (DUM) até a data atual (dia em que está realizando o cálculo) . Pode ser aferido em dias, semanas ou meses completos.

Deve-se salientar a diferença entre a idade embriológica da gestação e a idade obstétrica da gestação.
A idade embriológica é contada a partir da fecundação do óvulo. Por não ser possível, na maioria das vezes, determinar a data correta da ovulação e, portanto, da fecundação, convencionou-se datar a gravidez pelo primeiro dia da última menstruação (DUM), sendo esta chamada de idade obstétrica ou idade menstrual da gestação.

Ao dizer que uma gestante tem 10 semanas de gestação, tanto o obstetra quanto o ultra-sonografista estão simplesmente estabelecendo um critério temporal, ou seja, fazendo contas do tempo transcorrido entre a DUM e a data atual (10 semanas), tendo a mesma engravidado há cerca de 8 semanas. Ou seja, como a ovulação (período fértil) ocorre, supostamente, 14 dias após a menstruação, o início do desenvolvimento do embrião ocorre duas semanas após a DUM.
2) Quanto tempo dura a gestação?
Tendo como base o primeiro dia da última menstruação (DUM), a gestação dura, em média, 280 dias, 40 semanas ou 10 meses lunares ou 9 meses solares e 7 dias.

Assim, para calcular a data provável do parto (DPP) basta somar 280 dias à DUM, sendo encontrada a data em que se completa 40 semanas. Não se deve esquecer que a duração da gestação varia de acordo com as características de cada mãe e bebê.
Uma forma fácil de calcular a DPP é conseguida somando-se 7 dias ao primeiro dia da última menstruação e 9 meses ao mês em que a mesma ocorreu.
Exemplo: DUM = 03/02/2004 ? DPP = 03 + 7 = 10 ? DPP = 10/11/2004.
02 + 9 = 11
É considerada gestação a termo (quando o bebê não é mais considerado prematuro) a partir de 37 semanas completas e 42 semanas incompletas de gravidez. A gestação só é considerada prolongada (também conhecida como gestação pós-termo ou serotimia) quando com duração igual ou maior que 42 semanas completas (maior ou igual a 294 dias).

Nos casos em que não se sabe a DUM, o cálculo da idade gestacional será feito baseado na ultra-sonografia (USG), a qual é tanto mais precisa quanto mais precocemente é realizada. A grosso modo, no primeiro trimestre da gestação a USG tem um intervalo de confiança (um coeficiente de acerto) em datar a gestação, de mais ou menos 1 semana, no segundo trimestre essa variação é de mais ou menos 2 semanas, enquanto no terceiro trimestre é de mais ou menos 3 semanas. Em outras palavras, na avaliação ultra-sonográfica mais precoce podemos estimar a idade gestacional com muito menos erro. 
3) Qual a alimentação ideal para a gestante?
Alimentar-se apropriadamente durante a gravidez é uma maneira de assegurar o bem-estar de seu bebê e também ajudará a gestante a sentir-se melhor durante este período de grande esforço físico.

Na alimentação da gestante, a qualidade dos alimentos é muito mais importante que a quantidade.

Os nutrientes no organismo da gestante estão alterados pela ação de hormônios, pela alteração da função renal e maior retenção de líquido nesse período.

A dieta recomendada para a gestante é hiperproteica (rica em proteínas), hipoglicídica e hipolipídica (pouco açúcar e gordura).
A dieta rica em proteínas é essencial para o crescimento do feto, placenta e tecidos maternos envolvidos na reprodução. As proteínas provêm de produtos de origem animal e vegetal como a carne, peixe, os ovos, leite, soja.

Os carboidratos encontram-se nas frutas, vegetais e cereais. Estes açúcares e amidos fornecem energia ao corpo.

Lembre-se que a gordura encontra-se na manteiga, margarina, queijo cremoso, maionese, óleo e outros produtos de origem animal.

As vitaminas e minerais são essenciais para que o corpo funcione bem, e para o desenvolvimento apropriado do seu bebê.

Uma dieta balanceada, rica em frutas, vegetais, cereais e alimentos de origem animal, normalmente garante a maioria dos nutrientes e vitaminas necessários à gestante e seu bebê.

O cálcio juntamente com o fósforo e a vitamina D é essencial para a correta calcificação dos ossos e dentes do bebê. Normalmente as necessidades diárias desses elementos são supridas pela dieta com leite e exposição ao sol.

Apesar de uma dieta com alimentos de alta qualidade conter a maioria das vitaminas e minerais, seu médico pode receitar suplementos para assegurar a quantidade adequada de alguns nutrientes.
  • Ferro: há necessidade adicional de ferro durante e depois da gestação, principalmente no segundo e terceiro trimestres, sendo comum a ocorrência de anemia na gestação devido ao aumento do volume sanguíneo da mulher grávida e às demandas necessárias ao crescimento fetal. Mesmo as grávidas com alimentação balanceada podem necessitar da suplementação desse elemento.
  • Ácido fólico: Também merece destaque, sendo necessário para o desenvolvimento de novas células sangüíneas do bebê. A suplementação de 5 mg/dia de ácido fólico 3 meses antes e até a 14ª semana de gestação diminui o risco de defeitos abertos do tubo neural do feto (exemplo: espinha bífida e mielomeningocele), estando a deficiência de folato associada também à outras complicações na gravidez. O ácido fólico pode ser encontrado em alimentos como fígado, feijão, aspargo, brócolis, espinafre e laranjas.
A vitamina C ajuda a aumentar a resistência à infecções, mantém saudáveis os ossos e músculos, sendo também importante para a absorção do ferro.
A vitamina A ajuda a manter a pele saudável e estimula o funcionamento normal da tiróide, a qual controla o metabolismo do corpo.

Durante a gravidez, deve-se evitar o uso excessivo de vitaminas e minerais que não sejam receitadas ou aprovadas pelo obstetra. Quando são ingeridas em quantidades superiores ao indicado, vitaminas como A, B6 e D podem causar problemas tanto para mãe quanto para o bebê.
Limitar o consumo de sal na dieta não é recomendado durante a gravidez. Porém, se a paciente tiver hipertensão arterial crônica, deve ser orientada pelo seu médico quanto a restrição desse elemento na dieta. Os alimentos que contém altos níveis de sal incluem carnes processadas, sopas enlatadas, salgadinhos, batata frita, comidas congeladas e pizza.

Beber bastante líquido. Beber líquido regula a temperatura do corpo, diminui a constipação, infecção urinária, reduz as contrações uterinas e hidrata os lábios e a pele. A dieta diária deve incluir de 2 a 3 litros de líquidos/dia, incluindo água, suco de vegetais, leite, suco de frutas, etc.

Os adoçantes artificiais, como sacarina e aspartame, devem ser evitados durante a gravidez.

A cafeína é uma droga estimulante, podendo ser encontrada no café, no chá preto, chocolate, refrescos à base de cola e alguns medicamentos. Já que os efeitos da cafeína na gestação humana não são claros, por segurança, deve-se evitar a cafeína durante a gravidez ou limitar a sua ingestão a apenas 200 ml de bebidas que contenham cafeína, como: café, chá preto, refrigerante (coca-cola e pepsi), chocolate e achocolatados.

O álcool não deve ser ingerido durante a gestação. A quantidade segura para o consumo do mesmo ainda não foi estabelecida, portanto, por prudência, aconselha-se não ingerir o mesmo.

O álcool ultrapassa a barreira placentária, alcançando a circulação fetal. O consumo de bebidas alcoólicas durante a gravidez é causa importante de retardo mental e defeitos congênitos, podendo causar abortamento.

A Síndrome alcoólica fetal está associada à ingestão de quantidades excessivas de bebida alcoólica, por períodos prolongados durante a gravidez. O agravamento da Síndrome alcoólica fetal depende da quantidade de álcool que a mãe consumiu. Quanto mais alta for a quantidade de álcool ingerido pela mãe, mais perigosa será a doença do bebê. Bebês afetados pela Síndrome de alcoolismo têm problemas físicos e mentais, os quais incluem retardo mental, atraso no crescimento e desenvolvimento, problemas de coração, cabeça pequena e traços anormais nos olhos. Estes bebês são menores, alimentam-se pouco, irritam-se com facilidade e têm o choro muito agudo.

No entanto, estudos têm mostrado que mesmo quantidades pequenas de álcool podem gerar complicações. Recomenda-se que gestantes ou mulheres que estejam planejando engravidar não utilizem bebida alcoólica. em hipótese alguma.

Conselhos Para Uma Boa Alimentação

De uma forma geral, a gestante deve fracionar a sua dieta de forma a comer pequena quantidade de alimentos de fácil digestão com intervalos curtos entre uma refeição e outra, pois a gestante tem esvaziamento gástrico e motilidade intestinal mais lenta quando comparados às mulheres não grávidas, devido à ação hormonal e associação à compressão das estruturas abdominais pelo útero gravídico (que está crescendo).

Deve-se procurar:
  • Comer alimentos variados.
  • Escolher em primeiro lugar as frutas frescas.
  • Diminuir a carne gordurosa, preferir assar ou grelhar a carne.
  • Evitar biscoitos doces, tortas e refrigerantes gasosos, pois não têm nenhum valor nutritivo.
  • Conversar com seu médico, expor suas dúvidas. Seu médico falará sobre a importância de uma boa nutrição.

4) O que é possível fazer para melhorar as náuseas e os vômitos?
As náuseas são os sintomas mais comuns do início da gestação, desaparecendo normalmente quando termina o primeiro trimestre.
A causa provável das náuseas serem piores nessa fase da gestação é a gonadotrofina coriônica humana (hCG). O hCG é sintetizado pela placenta e alcança níveis máximos por volta da 12ª semana de gestação. O fato das náuseas e vômitos serem piores em pacientes com condições que aumentam os níveis desse hormônio, como gestação gemelar e neoplasia trofoblástica gestacional, falam a favor dessa hipótese.

Há também a associação de fatores psicológicos envolvidos na potencialização das náuseas e vômitos, sendo mais comuns esses sintomas em gestações não planejadas e de risco, e pouco freqüentes em mulheres nas quais a gestação é diagnosticada tardiamente (após o primeiro trimestre).
Esses sintomas são mais intensos pela manhã e após jejum prolongado. Sendo piorados por cheiros (de alimentos, cigarro, etc) e paladar (pasta de dente, doces, alimentos específicos, variando para cada gestante).
Para melhorar as náuseas e vômitos é recomendado:
  • Evitar jejuns prolongados, fracionando as dietas.
  • Ingestão de alimentos secos (pão, torrada), ricos em carboidratos (de fácil digestão e fonte de energia).
  • Ingestão de líquidos (gelados normalmente têm melhor aceitação).
  • Eliminar frituras, condimentos e alimentos que causem piora dos sintomas.
  • Apoio psicológico.
Caso essas medidas não melhorem as náuseas e os vômitos, a gestante deve conversar com seu médico de forma que o mesmo possa avaliar a necessidade de prescrição de medicamentos ou outras condutas que ajudem a gestante a conseguir uma nutrição adequada no início e durante a sua gestação. 
5) Qual o exercício ideal para a gestante? Eles são importantes?
Deve-se individualizar o aconselhamento de cada gestante quanto às suas rotinas e seus hábitos de vida. A atividade física (ou seja, qualquer movimento corporal que gere aumento do gasto energético acima do basal) praticada durante a gravidez ainda é uma área que necessita de um maior número de pesquisas científicas adequadas.

A mulher que se exercita antes e durante a gestação tende a pesar menos e retornará ao seu estado pré-gravídico com mais rapidez.
Exercícios aeróbicos leves e moderados em gestantes saudáveis e bem nutridas não afetam as características do bebê, como peso e altura, e não aumentam a incidência de abortamento.

A escolha do exercício dependerá da preferência da gestante, da capacidade física da mesma (o que ela estava acostumada a praticar antes da gestação) e dos recursos disponíveis para a sua realização.

As atividades físicas consideradas de baixo risco são as mais indicadas para as gestantes.

São exemplos de atividades de baixo risco: caminhada, natação, hidroginástica leve, bicicleta ergométrica sem carga, ioga. Sendo estas as atividades de eleição para as grávidas saudáveis, inclusive as previamente sedentárias.

Exercícios na água têm vantagens adicionais para as gestantes por minimizar os impactos articulares, já importantes na gestação, por melhorar a regulação da temperatura corporal durante o exercício e por estimular efeitos natriuréticos e diuréticos (menor absorção de água e sal), causados pela pressão da água sobre o corpo da grávida. A hidroginástica tem vantagens sobre a natação por não aumentar a sobrecarga sobre a coluna lombar (causada pela posição assumida durante a natação). A temperatura ideal da água é 28? a 30?C, já que temperaturas maiores podem levar a vasodilatação e menores a vasoconstrição.

O ioga e o tai-chi-chuan são alternativos para manter a flexibilidade e o tônus muscular.

As vantagens da atividade física na gestação incluem os benefícios ao organismo/físicos e os psicológicos, incluindo: menor ganho de peso, diminuição das complicações materno-fetais, menor incidência de cesárea, menor duração do trabalho de parto, menor tempo de hospitalização e melhora da capacidade física materna.

Há também as vantagens psíquicas e sociais, como melhora da auto-estima, da auto-imagem, da sensação de bem-estar e diminuição da ansiedade, do estresse, da sensação de isolamento social e do risco de depressão.

Durante a realização das atividades de baixo risco deve-se tomar precauções quanto: terreno, temperatura ambiental, aquecimento prévio ao exercício, calçado, hidratação e alimentação, evitando-se fases anaeróbicas de exercício (curta duração e alta intensidade).
Uma das maiores preocupações em relação aos exercícios é o comportamento dos níveis de glicose no sangue, a qual é muito sensível às condições físicas individuais e ao tipo, intensidade e duração dos exercícios físicos. A glicemia materna mantém-se estável durante a realização de exercícios de intensidade leve a moderada, mas o exercício prolongado e extenuante pode induzir à diminuição da mesma, principalmente no final da gestação, podendo ter efeitos adversos sobre o bebê. Deve-se evitar exercícios ou esforços físicos caso a grávida esteja em jejum.
A presença de dor, contrações uterinas, desmaios, palpitações, náuseas, vômitos, ou qualquer alteração durante o exercício indicam necessidade de reavaliação do mesmo e até sua suspensão. A gestante não deve fazer exercícios por conta própria, devendo sempre ser orientada e acompanhada por um profissional da área, e orientada também pelo seu obstetra.
Na realização de qualquer atividade física, tanto as gestantes previamente sedentárias como as atletas devem ser orientadas a:
  • Evitar aumento da temperatura corporal (ingerindo no mínimo um copo de água a cada 15 minutos de exercício, prevenindo a desidratação e evitando ambientes muito quentes);
  • Evitar fases anaeróbicas do exercício (curta duração e alta intensidade);
  • Evitar exaustão e fadiga;
  • Evitar exercícios em posição de costas (principalmente a partir do sexto mês);
  • Evitar manobra de Valsalva (apnéia inspiratória);
  • Realizar aquecimento antes do exercício e alongamento após;
  • Alimentação adequada.

6) Qual o ganho de peso ideal para a gestante?
A mulher grávida ganha em média 12,5 Kg durante toda a gestação. O ganho de peso ideal durante a gestação depende do peso da gestante antes da mesma. Se o peso anterior à gestação for normal para a altura, um aumento de 11,3 a 15,8 kg geralmente é recomendado. Em gestantes com peso abaixo do normal para a altura, recomenda-se um maior ganho de peso e para aquelas acima do peso ideal, recomenda-se menor ganho. Alimentando-se corretamente você evitará aumento de peso excessivo.

O aumento do peso durante a gestação está relacionado ao aumento do útero, peso fetal e da placenta, líquido amniótico, crescimento das mamas, retenção de líquido, aumento do volume sanguíneo e das reservas do organismo materno.

Em uma gestante que ganhou 12,7 kg no final da gestação, este peso será distribuído aproximadamente da seguinte forma:

Bebê: 3,40 kg
Placenta = 0,45 kg
Líquido amniótico = 0,90 kg
Útero = 1,30 kg
Mamas = 1,36 kg
Sangue materno = 1,81 kg
Gordura materna = 3,62 kg
O ganho excessivo de peso prejudica a gestante, tornado as limitações físicas decorrentes da gestação mais pronunciadas, aumentando o cansaço materno, além de prejudicar a recuperação após o parto e principalmente, aumenta os riscos de complicações na gestação, como hipertensão e diabetes, gerando, com isso, riscos também para o feto, podendo o peso excessivo fetal, quando presente, prejudicar e complicar o parto.
Por outro lado, deve-se atentar para que o baixo ganho de peso não esteja relacionado a uma nutrição inadequada. Devendo estar atento para que sejam ingeridos os nutrientes necessários ao desenvolvimento, crescimento fetal e suprimento das necessidades do organismo materno.

7) O acompanhamento pré-natal é essencial para a gestação?
A medicina preventiva é o melhor caminho para cuidarmos da nossa saúde. O acompanhamento pré-natal tem como objetivos principais: aconselhamento da gestante e familiares para que a gestação transcorra com tranqüilidade e rastreamento clínico e laboratorial de qualquer intercorrência que possa afetar a mãe e seu bebê.

Aproximadamente 90% das gestantes não apresentam fatores que colocam em risco a sua saúde e de seu bebê. No entanto, mesmo as pacientes ditas de baixo-risco devem ter acompanhamento contínuo, pois dessa forma podemos prevenir e diagnosticar precocemente diversas patologias, aumentando a possibilidade de êxito do seu tratamento.
O Ministério da Saúde (MS) preconiza que deveriam ser realizadas pelo menos seis consultas durante a gestação, sendo a qualidade das mesmas meta importante do governo, já que a melhor qualidade da assistência pré-natal reflete em redução das elevadas taxas de mortalidade materna encontradas no nosso país, problema associado, na maioria dos casos, à precariedade da assistência pré-natal.
Os bons resultados da gestação são diretamente proporcionais à precocidade do início do acompanhamento pré-natal, da freqüência e qualidade do mesmo.
8) Quando é possível notar os movimentos do bebê?
Desde o período embrionário já existem os movimentos do seu bebê. No entanto, como ele é muito pequeno, não é possível notar os mesmos. Mas é possível observá-los durante exame ultra-sonográfico.
A partir de 16 a 20 semanas, dependendo de cada mãe é possível perceber a movimentação fetal, que podem ser referidas como ondulações abdominais (as mulheres grávidas pela primeira vez normalmente notam mais tardiamente os movimentos do bebê quando comparadas àquelas que já estiveram grávidas antes).
À medida que a gestação evolui os movimentos do bebê se tornam mais evidentes e freqüentes. A movimentação fetal é normal, portanto não há razão para se preocupar com o bebê que “mexe demais!” Vale também lembrar, que um bebê não mexe igual ao outro, e que o fato de um bebê mexer menos que outro não quer dizer que ele não seja tão saudável quanto, ele é apenas diferente.
Com a aproximação do final da gestação, é normal a mãe referir que seu bebê não mexe tanto quanto antes, o que se justifica pelo fato de não haver mais tanto “espaço” para a movimentação fetal. Porém, qualquer dúvida quanto a seu bebê estar se movimentando pouco, converse com seu obstetra, é muito importante que ele saiba quais são suas dúvidas para que ele possa avaliá-las e tomar as providências que ache necessário.
9) A gestante pode continuar trabalhando? Quais os cuidados a tomar?
O trabalho constitui motivação para a gestante, proporcionando bem estar físico e, principalmente, mental para a mulher.
De uma forma geral, a gestante não deve parar de trabalhar durante a gestação. Deve-se, no entanto, atentar para as modificações físicas impostas pela gravidez.
Funções que exijam esforço físico extenuante, carga horária excessiva e atividades em que se fique em pé por períodos maiores que 6 horas são considerados como de risco para a gravidez, levando ao aumento de casos de abortamento, parto prematuro, baixo peso ao nascimento e aumento de pressão arterial materna. As atividades que exigem contato com agentes químicos merecem cuidado e atenção pelo risco de contaminação materna e fetal.
De uma forma geral, as gestantes que exercem funções administrativas, técnicas, científicas, artísticas e assemelhadas são consideradas como de menor risco, devendo sempre cada caso ser avaliado separadamente.
DIREITOS NO TRABALHO (Garantidos pelas leis trabalhistas – CLT, Ministério da Saúde):
  • Sempre que a gestante for às consultas de pré-natal ou fizer algum exame necessário ao acompanhamento de sua gravidez, solicitar ao serviço de saúde uma DECLARAÇÃO DE COMPARECIMENTO. Apresentando esta declaração à sua chefia a gestante terá sua falta justificada no trabalho;
  • A gestante tem o direito de mudar de função ou setor no seu trabalho, caso o mesmo possa provocar problemas para a sua saúde ou do bebê. Para isso, deve apresentar à gerência um atestado médico comprovando que precisa mudar de função;
  • Enquanto estiver grávida, e até cinco meses após o parto, a gestante tem estabilidade no emprego e não pode ser demitida, a não ser por "justa causa", isto é, nos casos previstos pela legislação trabalhista (se cometer algum crime, como roubo ou homicídio, por exemplo);
  • A gestante tem direito a uma licença-maternidade de 120 dias - recebendo salário integral e benefícios legais - a partir do oitavo mês de gestação;
  • Até o bebê completar seis meses, a gestante tem direito de ser dispensada do seu trabalho todos os dias, por dois períodos de trinta minutos, para amamentar;
  • O companheiro da gestante tem direito a uma licença-paternidade de cinco dias, logo após o nascimento do bebê.
10) Quais os tipos de viagens a gestante pode ou não pode fazer? Quais as precauções a tomar?
As viagens aéreas não constituem risco particular para as gestantes. No entanto, apresentam uma série de fatores que podem ser considerados como muito desgastantes para a grávida, como alterações de ritmo circadiano (quando múltiplos fusos horários são cruzados) e mudanças de temperatura, de umidade, de pressão atmosférica e exposição a ruídos. Deve-se evitar aviões de pequeno porte, mais susceptíveis a essas mudanças.
A imobilização prolongada, decorrente do espaço reduzido entre as poltronas, aumenta o risco de edema e trombose em membros inferiores, principalmente nas gestantes susceptíveis. A mulher grávida deve ser orientada a usar meias elásticas, deambular periodicamente, e movimentar os membros inferiores, particularmente nos vôos de longa duração.
Algumas empresas exigem atestado médico para permitir embarque de gestantes com mais de 30 semanas de gestação, devido à proximidade do final da gestação e, portanto, do parto.
As viagens terrestres não são consideradas como de risco para a gestação. Nas viagens longas deve-se movimentar periodicamente os membros inferiores, devendo a gestante deambular de preferência a cada duas horas.
Os cintos de segurança devem ser utilizados sobre a raiz da coxa e nunca sobre o útero.
A gestante deve viajar de preferência como passageira, evitando dirigir, principalmente na gestação avançada, quando seus reflexos estão reduzidos pela sobrecarga física imposta pela gravidez, além de aumentar o risco de trauma direto do útero pelo volante em caso de acidentes.

11) Quais os cuidados necessários em relação aos tratamentos cosméticos realizados pela gestante?
A definição de cosmético varia de país para país. No Brasil, a definição de cosmético é a mesma utilizada no EUA, que define como produtos cosméticos aqueles que limpam, embelezam, promovem atração ou alteram apenas por ação física e não fisiológica. Caso apresente ação fisiológica, sendo capaz de tratar ou prevenir doenças ou de afetar a estrutura ou a função do corpo é considerado droga ou medicamento (exemplos: anti-seborréicos, hidratantes, bronzeadores, anti-perspirantes).
De uma forma geral, os produtos cosméticos: batom, esmalte, perfume, desodorante, filtros solares, podem ser utilizados na gestação.
As tinturas de cabelo não estão contra-indicadas na gestação, mas por precaução devem ser evitadas no primeiro trimestre e devendo ser dada preferência às industrializadas, devendo ser evitadas misturas de tintas utilizadas por alguns profissionais, pois a mistura de duas ou mais cores de tintas pode gerar compostos sobre os quais não se tem controle.
Em relação aos permanentes e alisamentos não existem estudos na literatura que demonstrem o efeito das substâncias utilizadas com esse propósito sobre o feto, devendo seu uso ser cauteloso na gestação.
Os filtros solares, em especial os que não contenham o PABA (ácido para-aminobenzóico), são necessários para a proteção da pele, prevenindo o câncer e reduzindo a intensidade do cloasma gravídico (mancha escura no rosto).
Em relação aos agentes clareadores de pele, deve-se chamar a atenção para os retinóides. Alguns retinóides, como a isotretinoína, são teratogênicos (geram malformações fetais) não sendo, por esta razão, recomendados na gestação.
Os hidratantes podem e devem ser utilizados durante a gestação, aumentando a distensão da pele e auxiliando na prevenção de estrias.
Converse com seu médico sobre produtos específicos, e não use qualquer cosmético ou medicação sem o conhecimento e orientação do mesmo.

12) O tabagismo faz mal ao bebê? E o alcoolismo social?
Tabagismo
Além de todos os efeitos nocivos sabidamente conhecidos que o cigarro pode acarretar na mãe fumante (efeitos sobre seu pulmão e circulação/vasos sanguíneos), o tabagismo pode causar danos ao feto no seu crescimento e formação.
Esses efeitos nocivos podem ser decorrentes de:
  • Diminuição do transporte de oxigênio pelo sangue materno e fetal, resultando em hipoxemia (baixa de oxigênio para os órgãos e tecidos) ? efeito gerado pelo monóxido de carbono inalado.
  • Diminuição do transporte de oxigênio pelo sangue materno e fetal, resultando em hipoxemia (baixa de oxigênio para os órgãos e tecidos) ? efeito gerado pelo monóxido de carbono inalado.
  • Diminuição do transporte de nutrientes para o feto através da placenta ? efeito gerado pelo alcatrão (pela alteração do sistema enzimático placentário).
  • Aumento da resistência vascular placentária e fetal, gerando piora da hipoxemia e comprometimento do crescimento fetal ? efeito gerado pela nicotina.
A associação mais conhecida entre o tabagismo e a gestação é a restrição do crescimento fetal intra-uterino (fetos que diminuem o índice de crescimento). As gestantes tabagistas têm maior chance de ter filhos com baixo-peso ao nascimento ou podem ser gravemente comprometidos pela diminuição do fluxo sanguíneo utero-placentário e trocas através da placenta.
Outras associações descritas na literatura entre tabagismo e complicações da gestação:
  • Abortamento espontâneo.
  • Placenta prévia.
  • Descolamento prematuro da placenta.
  • Prematuridade.
  • Rotura prematura das membranas (amniorrexe prematura).
  • Óbito fetal.
  • Alteração de pressão.
  • Alterações circulatórias.
  • Acidentes tromboembólicos.
A gestante deve ser orientada a parar de fumar. Na impossibilidade de conseguir a parada, deve-se limitar ao máximo de 5 cigarros/dia, como os efeitos deletérios do tabagismo são dose-dependentes, qualquer diminuição pode trazer efeito benéfico para o feto.
Há estudos que sugerem haver diminuição de leite durante a amamentação pela mulher tabagista, além de haver distúrbios do sono e aumento de irritabilidade e de cólicas abdominais pelo lactente.
Alcoolismo Social
O álcool (etanol) passa livremente pela barreira placentária, sendo lentamente metabolizado pelo feto e considerado teratogênico (ou seja, acarreta malformação fetal).

Os efeitos sobre o feto são dose-dependentes. Como não se conhece a dose segura para uso na gestação, recomenda-se NÂO ingerir bebida alcoólica durante toda a gestação (mesmo em pequenas doses).

O consumo de álcool está relacionado a abortamentos espontâneos e síndrome alcoólica fetal, sendo as alterações tanto mais freqüentes e mais graves quanto maiores as doses ingeridas.
síndrome alcoólica fetal caracteriza-se por anomalias múltiplas funcionais e estruturais, acometendo todo o organismo fetal, podendo acarretar óbito neonatal. As anormalidades comuns incluem deficiência de crescimento (pré-natal e pós-natal), morfogênese alterada, deficiência mental e rostos característicos - olhos pequenos e ponte nasal achatada. São observadas disfunção motora fina e tremedeira no neonato.

Os filhos de mães alcoólatras apresentam também falha de desenvolvimento motor e intelectual.

Os efeitos da ingestão de álcool durante a amamentação sobre o lactente são menos intensos. A sonolência, letargia e inapetência são alguns deles.

13) Quais os cuidados no relacionamento sexual durante a gestação?
A sexualidade saudável é de difícil definição. Falar em freqüência, regularidade ou intensidade é absolutamente irrelevante. Não há um padrão de normalidade em relação à sexualidade durante a gestação ou fora dela.

É importante observar as modificações do organismo materno em cada fase da gestação, buscando-se adaptações de forma a evitar desconfortos pelo casal durante a relação sexual.

A resposta sexual, uma vez desencadeada, não se modifica através da gestação, no entanto, a libido tem diminuição significativa quando comparada à libido da mulher não-grávida (isto NÃO é uma regra e existem as variações consoantes a diversos fatores e/ou personalidades e casais). São fatores que podem contribuir para a diminuição da atividade sexual:
  • Auto-imagem negativa, comum dentre as gestantes, potencializada pelas alterações do organismo materno (mamas e abdome).
  • Cansaço, desconforto e limitações físicas impostas pela gravidez.
  • Preocupações com relação aos riscos para a gravidez e bebê (em situações normais a ATIVIDADE SAUDÁVEL NÃO COLOCA EM RISCO O BINÔMIO MATERNO-FETAL).
  • A maioria das mulheres continua a atividade sexual durante a gravidez.
A freqüência de relações, no entanto, tende a diminuir no primeiro trimestre, mantém-se constante no segundo trimestre (havendo casais que vivenciam sexualidade plena nesta fase da gestação), voltando a diminuir no terceiro trimestre.

A gestação não impede a atividade sexual. No entanto, devido ao esforço físico materno e estímulo à atividade (contração) uterina durante a relação sexual, há situações em que a atividade sexual é desaconselhada, tais como:
  • Ameaça de abortamento.
  • Sangramento transvaginal durante a gestação.
  • Ameaça de e trabalho de parto prematuro.
  • Amniorrexe prematura pré-termo.
  • Placenta prévia.
  • Cirurgias prévias de colo uterino (amputações, biópsias ampliadas).
É importante conversar com seu companheiro uma vez que a sexualidade está relacionada ao casal, devendo ser discutida, compreendida e vivenciada como tal. NÃO EXISTE UMA REGRA ABSOLUTA!

Muitas preocupações e dúvidas suas são facilmente respondidas pelo seu médico. Converse com ele!

14) Quando optar pelo parto normal ou pelo parto cesárea?
O parto normal (transvaginal) deve ser considerado como evento fisiológico em essência, necessitando de intervenção médica mínima. A aceitação do parto como evento natural não é sinônimo de omissão no acompanhamento do mesmo, mas indica a necessidade de vigilância contínua para identificação precoce dos casos que necessitam de intervenção para assegurar o bem-estar materno-fetal.

O parto normal deve ser gratificante para os pais e, principalmente, seguro para o binômio mãe-feto. Portanto, para que esses objetivos sejam alcançados, deve-se iniciar preparação para o parto normal desde o pré-natal, sendo elucidadas as dúvidas dos pais durante o mesmo e durante o parto. Há ainda que se atentar para o alívio da dor materna durante o parto e realizar monitorização contínua do bem-estar fetal de forma que a opção pelo parto normal seja justificada e segura.

A indicação da operação cesariana pode ser materna ou fetal. Dentre as indicações pode-se destacar como indicações absolutas de cesariana: placenta prévia total e desproporção céfalo-pélvica (o tamanho fetal não é compatível com a pelve materna para que seja possível a sua passagem através dela).

Outras situações, como sofrimento fetal, prolapso de cordão umbilical, prematuridade, entre outras, devem ser individualizadas, levando-se em conta, principalmente, a viabilidade fetal, a fase do trabalho de parto em que a gestante se encontra e os riscos e benefícios da operação cesariana.

A presença de um parto cesárea prévio não é indicação, por si só, de repetição de cesariana.

A gestante deve sempre ser informada quanto aos riscos e benefícios do parto cesáreo e do parto transvaginal.

“Não se devem fazer cesarianas desnecessárias e não se pode deixar de fazê-las quando necessário”. A informação é o melhor caminho para se ter um parto seguro e tranqüilo. Cada gestação deve ser conduzida individualmente, segundo as suas características e peculiaridades. NÃO COMPARE COM OUTROS CASOS. CADA CASO DEVE SER ANALISADO INDIVIDUALMENTE. MEDICINA NÃO É UMA CIÊNCIA EXATA!

15) Como se preparar para a amamentação?
O exame das mamas deve ser realizado durante o pré-natal pelo obstetra, devendo ser avaliados os mamilos (mobilidade e forma). Qualquer tipo de seio tem capacidade de produzir quantidade suficiente de leite para nutrir o recém-nato.

As gestantes com mamilos invertidos merecem orientações especiais durante todo o pré-natal, podendo ser realizadas manobras que visam a melhora do posicionamento dos mesmos.

O uso de hidrantes nas mamas e abdome auxilia no fortalecimento da pele. Deve-se evitar, no entanto, o uso de hidratantes nas aréolas e mamilos, pois eles podem prejudicar a secreção das glândulas sebáceas (presentes nestes locais), fragilizando os mesmos.

O uso de absorventes mamilares e a lavagem exaustiva dos mamilos e aréolas durante o banho, com sabonetes perfumados e soluções alcoólicas (perfumadas), devem ser desencorajados, pois enfraquecem essas regiões, predispondo problemas posteriores como fissuras mamilares.

O uso de sutiãs mantendo os seios firmes, fricções dos mamilos com toalhas felpudas após o banho e a exposição ao sol pela manhã ou ao final da tarde, por aproximadamente 15 minutos/dia, contribuem para o fortalecimento da pele e mamilos, auxiliando a amamentação.

A instrução da gestante e seus familiares sobre os benefícios da amamentação são indispensáveis para o êxito da mesma.

Felizmente não existe "leite fraco" ou "produção insuficiente de leite". Deve-se manter a calma durante a amamentação e procurar apoio sempre que sentir necessidade. Todo bebê está capacitado a mamar e toda mãe é capaz de amamentar, desde que receba orientações adequadas no pré-natal, parto e no pós-parto. Coisas como: a maneira de segurar o bebê e o modo como ele abocanha a aréola, o uso do próprio Leite Materno para tratar fissuras, etc. são simples, mas fundamentais para que você possa amamentar com sucesso o seu bebê!

16) A amamentação é insubstituível para o bebê?
Amamentar é um ato exclusivo da mulher e deve ser devidamente valorizado e apoiado.

Quando a mulher está amamentando, seu corpo volta mais rapidamente ao normal, principalmente seu útero.

A mulher que amamenta tem menos depressão pós-parto, câncer de mama e ovário no futuro e menor chance de ter osteoporose, entre outras doenças. A amamentação possibilita, ainda, a utilização do LAM - Método de Amenorréia Lactacional, que se assemelha à pílula anticoncepcional para a contracepção, se:
  • A amamentação é exclusiva (sem água, chás, em livre-demanda).
  • Existirem pelo menos 6 amamentações diárias.
  • A mulher estiver sem menstruar.
  • O bebê tiver menos de 6 meses de vida.
O Aleitamento Materno aumenta a auto-estima da mulher, estreita os laços entre a mãe e seu bebê e é fonte de prazer para ambos. Essas vantagens para a mãe que amamenta se traduzem em maior bem-estar e melhor desenvolvimento do recém-nato.

Em relação às vantagens para o recém-nato, o leite da mãe é o melhor alimento para o lactente em seu primeiro ano de vida, especialmente nos primeiros 6 meses, quando pode ser usado exclusivamente (sem água, chás, vitaminas...). O leite materno possibilita:
  • Crescimento e desenvolvimento ótimos da criança.
  • Desenvolvimentos psíquico e intelectual do bebê.
  • Proteção contra doenças como: Diabetes, Doença Celíaca, infecções respiratórias, inclusive otite, alergias, diarréia, infecções urinárias, cáries e má oclusão dentária, além de outras enfermidades. O Colostro ("leite dos primeiros dias" pós-parto) contém quase 3 vezes mais proteínas que o leite maduro, sendo grande parte destas proteínas anticorpos (Imunoglobulinas) que protegem seu bebê. Por este motivo, o colostro também é chamado de 1ª vacina. Já foi demonstrado que cada mãe produz um leite especial de acordo com as necessidades de seu bebê.
Poucas são as situações em que se deve evitar ou é contra-indicada a amamentação. Pode-se citar o uso de algumas medicações (especialmente os quimioterápicos) e infecções (exemplo: infecção pelo HIV). Converse com seu médico!

25 de mai de 2011

O que é hidrossalpinge?


Hidrossalpinge e Infertilidade!
Hidrossalpinge é a presença de líquido na tuba de Falópio, obstruída devido à infecção, endometriose ou cirurgia prévia. Frequentemente se estabelece após um episódio de doença inflamatória pélvica. Nesta condição, bactérias ascendem da vagina em direção ao útero e tubas, desencadeando um processo infeccioso. O diagnóstico de hidrossalpinge é feito mais precisamente através da ultrassonografia transvaginal, que mostra tubas dilatadas com líquido em seu interior , ou através da laparoscopia.
Hoje, sabe-se que estas tubas dilatadas, além de dificultar que a mulher engravide espontaneamente, também reduzem as taxas de gestação quando a mesma é submetida à fertilização in vitro. O mecanismo exato através do qual a hidrossalpinge interfere com as taxas de gestação não é bem conhecido, mas acredita-se que três fatores estejam envolvidos. Primeiro, o líquido da tuba em contato com a cavidade uterina deslocaria o embrião, dificultando sua implantação. Segundo, este líquido liberaria várias substâncias tóxicas ao embrião, dificultando o seu desenvolvimento e , por último, interferindo com a receptividade endometrial.
Desta forma, a conduta mais recomendada hoje é a de que mulheres que apresentam hidrossalpinge com mais de 3cm, ou visíveis ao ultrassom, considerem a possibilidade de remover cirurgicamente esta tuba dilatada antes de se submeterem a procedimentos de fertilização in vitro, a fim de aumentar as taxas de implantação e gestação.


Falando Sobre a Infertilidade


A infertilidade pode ser definida como a ausência de gravidez após um ano de relações sexuais regulares, sem o uso de qualquer método contraceptivo, por exemplo, pílula anticoncepcional, preservativo, DIU (dispositivo intra-uterino) dentre outros. Hoje em dia os casais inférteis representam 10% a 15% de todos os casais. Vários fatores característicos do mundo moderno estão contribuindo para o aumento dos índices de infertilidade, dentre eles, alimentação não-balanceada (alto teor de gorduras, conservantes, corantes artificiais etc.), vida sedentária (especialmente a falta de exercício físico), estresse e principalmente, a tendência da mulher em adiar a maternidade, devido ao seu papel no mercado de trabalho, optando pela gestação após os 30 ou 35 anos. Relatos da literatura demonstram uma discreta queda da fecundidade (taxa de gestação por ciclo de tratamento) após os 30 anos, porém acentuada após os 35 anos. Conseqüentemente, tem sido observada uma maior procura por tratamentos utilizando técnicas de reprodução assistida. A reprodução assistida constitui-se de um conjunto de técnicas que tem como objetivo viabilizar a gestação em mulheres com dificuldades de engravidar. Podem ser divididas em dois grandes grupos: as técnicas de inseminação artificial (a fecundação ocorre no organismo da mãe) e as técnicas de fertilização in vitro (FIV) e suas variantes. A aplicação dos diferentes tipos de terapia depende da causa da infertilidade. 


Para um diagnóstico claro e consistente, a análise da história sexual do casal é fundamental. Fatores como frequência e duração da relação sexual devem ser avaliados, bem como a utilização de lubrificantes, já que estes possuem um efeito negativo na qualidade do sêmen. 
Após a obtenção da história sexual, o casal é encaminhado para avaliação da história clínica, exames clínicos e testes diagnósticos apropriados, que incluem investigação genética. A infertilidade pode ser classificada como primária, quando o casal nunca engravidou antes, ou secundária, quando o casal já teve gestação anterior.

Principais causas da infertilidade
É possível dividir as causas da infertilidade em quatro principais categorias: a) fator feminino, b) fator masculino, c) combinação dos dois fatores, d) infertilidade sem causa aparente (inexplicada). A porcentagem exata para cada categoria é difícil de ser obtida devido ao grande número de variáveis, entretanto, relata-se que aproximadamente 35% das causas são femininas, 30% são masculinas e 20% dos casais apresentam causas conjuntas, tanto do homem como da mulher. Em 15% dos casos, a definição da etiologia não é conclusiva, sendo denominada infertilidade sem causa aparente (ISCA).

Fator feminino
As causas femininas de infertilidade estão relacionadas a quatro fatores: cervical, ovariano, uterino e tuboperitonial. O fator cervical pode ser avaliado pelo teste pós-coito (TPC), que consiste na coleta do muco cervical e da secreção vaginal, com quatro a doze horas 
após uma relação sexual. As causas ovulatórias resultam de alterações hormonais que impedem ou dificultam o crescimento e a liberação do óvulo, como por exemplo, na Síndrome do Ovário Policístico. Uma em cada cinco mulheres apresenta sinais ou sintomas dessa doença e os critérios para o diagnóstico incluem a presença de ovário policístico ao ultrassom, ovulação deficiente e/ou sinais de hiperandrogenismo. O fator uterino é decorrente de alterações anatômicas como malformações, tumores e aderências, que alteram a cavidade uterina. No endométrio, podem ocorrer alterações infecciosas, além de pólipos, que dificultam a implantação do embrião. O fator tuboperitoneal inclui as alterações anatômicas causadas pela endometriose (quando o tecido endometrial implanta-se fora da cavidade uterina) e os processos inflamatórios secundários a infecções por agentes como gonococos, clamydia e outros. Em menor frequência, pode ser relacionado a lesões causadas por cirurgias pélvicas. A forma avançada da endometriose pode provocar 
obstrução na tuba uterina, impedindo o óvulo de chegar ao espermatozóide. 

Fator masculino
As causas principais de infertilidade masculina são a varicocele, falência testicular primária, as infecções seminais, as obstruções de epidídimo ou do canal deferente e as alterações hormonais. São decorrentes principalmente da diminuição do número (oligozoospermia) e da mobilidade dos espermatozóides (astenozoospermia), ou até mesmo de sua ausência (azoospermia) ou morfologia anormal (teratozoospermia). A frequência dessas alterações tem aumentado significativamente nas últimas duas décadas, provavelmente associada a fatores ambientais, como stress, hábitos alimentares, poluição, hábito de fumar, uso de drogas, entre outros.


Infertilidade sem causa aparente 
Este diagnóstico é sugerido quando os ciclos menstruais são ovulatórios, as tubas uterinas têm função adequada e o espermograma (exame para análise do número, morfologia e viabilidade do espermatozóide) é normal. 

Aspectos Genéticos da Infertilidade
As alterações cromossômicas numéricas ou estruturais são importantes causas de infertilidade e podem ser responsáveis por anomalias congênitas em recém nascidos. Além disso, estas alterações estão presentes em mais de 50% dos abortos espontâneos do primeiro trimestre. Paralelamente, a infertilidade pode estar associada a diferentes síndromes genéticas, como consequência de mutações em genes relacionados ao desenvolvimento e funções reprodutivas. 


Estima-se que 5,8% dos homens inférteis apresentam alguma alteração genética. Algumas das anormalidades genéticas associadas com a infertilidade masculina, são: 
•  Anormalidades cromossômicas: 92% são aberrações dos cromossomos sexuais, como por exemplo, a Síndrome de Klinefelter (pacientes azoospérmicos, com cariótipo 47, XXY e suas variantes), indivíduos 47, XYY (apresentam espermatogênese anormal).
•  Deleções no cromossomo Y: no braço longo do cromossomo Y, um complexo de genes chamado de fator de azoospermia (AZF) é responsável pela espermatogênese normal. Algumas deleções nesta região resultam em azoospermia ou oligospermia severa.
•  Fibrose Cística (CF): é uma doença autossômica recessiva, causada por mutações no gene regulador da passagem de cloro e sódio pelas membranas celulares, levando a uma obstrução dos vasos relacionados à ejaculação. 

Tratamento
O tratamento para estes casais deve ser progressivo e depende do fator responsável pela infertilidade. Procedimentos de baixo custo e pouco invasivos são os primeiros, como por exemplo, o coito programado, indução da ovulação, inseminação intrauterina. Caso não ocorra gestação, os tratamentos tornam-se mais sofisticados, caros e invasivos. A grande maioria dos centros de reprodução assistida está relacionada a instituições privadas, com custos elevados e inacessíveis para a população. No estado de SP existem poucos serviços gratuitos para esse tipo de tratamento, com longas filas de espera. Infelizmente, no Brasil, há uma enorme desproporção entre o número de casais inférteis e os que realizam tratamento por meio de reprodução assistida.Os tratamentos mais indicados incluem:


coito programado: relações sexuais nos dias de ovulação, que é controlada por medicação e ultrassom; b) inseminação intrauterina, também conhecida como inseminação artificial: 
após o preparo do sêmen, este é introduzido no útero da mulher em consultório; 


fertilização in vitro, também conhecida como bebê de proveta: o espermatozóide fecunda o óvulo em laboratório e após a formação do embrião, este é transferido para o útero materno; 


ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozóides) que consiste em injetar um espermatozóide diretamente no interior do óvulo; e) tratamento cirúrgico, caso seja necessário, para endometriose, obstrução tubária, obstrução dos ductos ejaculatórios.


Possibilidades de Sucesso
As probabilidades de obter uma gravidez reduzem de maneira expressiva se o tempo da infertilidade for superior a três anos. O sucesso de gravidez para casais que se submetem a técnicas de reprodução assistida é variável. Os índices de sucesso dependem da idade da mulher, do fator responsável pela infertilidade, da resposta da paciente a estimulação hormonal e da técnica de reprodução utilizada. Para o homem, o tratamento das alterações 
seminais e das causas obstrutivas pode alcançar altas taxas de sucesso, devido à aplicação dessas técnicas.


Para a inseminação artificial, a taxa é de aproximadamente 20 % podendo chegar a até 80 % depois de várias tentativas, quando o casal não apresenta outras causas de infertilidade. Quando o casal opta pela fertilização in vitro ou ICSI, a taxa de sucesso aumenta até 
25% e 56% respectivamente a cada tentativa. Em média, a taxa de sucesso (que significa nascimento e não gravidez) situa-se entre 30 e 40% nos principais serviços de reprodução assistida. Vale relembrar que apesar dos avanços tecnológicos dos tratamentos, a taxa de sucesso no caso de mulheres acima de 35 anos ainda é bem menor do que em mulheres mais jovens. O tratamento do casal infértil gera expectativas e frustrações, por isso, é necessário que os casais recebam acompanhamento multidisciplinar adequado, incluindo apoio psicológico. Os aspectos sociais também devem ser considerados, uma vez que questões como adoção e o desejo do casal de ser inserido em uma sociedade “normal”, composta por pais e filhos, podem modificar a forma ideal de tratamento.