24 de mai de 2011

Saúde Sexual


Irregularidades nos ciclos menstruais como a ausência de menstruação ou o sangramento uterino excessivo e fora de época são os distúrbios menstruais que mais afetam as mulheres na fase reprodutiva. O desequilíbrio na produção de hormônios estrogênios e de progesterona, especialmente deste último, está em geral por trás dessas irregularidades, embora elas possam ser consequência, em alguns casos, de problemas psíquicos ou do estresse físico. O excesso de exercícios, por exemplo, leva geralmente à suspensão das menstruações. A ausência de menstruação por um ou mais ciclos menstruais sem a ocorrência de gravidez, também chamada de amenorréia, pode ser primária ou secundária e tem origens diversas como veremos a seguir. O sangramento uterino excessivo, o segundo tipo mais comum de distúrbio menstrual, ocorre na maioria dos casos como resultado da anovulação (falta de ovulação) ou em função do desenvolvimento de pólipos e miomas.
A produção dos hormônios sexuais que participam da reprodução humana começa no hipotálamo, região do cérebro que regula algumas funções importantes no organismo de homens e mulheres, entre elas a de fabricação das substâncias conhecidas pela sigla GnRH, um hormônio liberador de gonadotrofinas. O GnRH é a materia prima das substâncias gonadotrofínicas, estimulantes do ciclo reprodutivo humano. Elas são produzidas na glândula pituitária, a popular hipófise (alojada na base do cérebro) e transportam dois tipos de hormônios, o FSH ou hormônio foliculoestimulante e o LH ou hormônio luteinizante. Nos homens esses dois hormônios entram em ação ao mesmo tempo. O FSH estimula a produção de espermatozóides e o LH leva os testículos a fabricar a testosterona. Nas mulheres, o FSH e o LH atuam de forma alternada. O FSH entra em ação na primeira metade do ciclo, induzindo os ovários a produzir estradiol, o estrogênio que amadurece os óvulos guardados nos folículos. O LH participa da segunda metade do ciclo. Ele ajuda o óvulo a romper o folículo e finaliza o processo de ovulação que culmina com o transporte do óvula pelas trompas de Falópio até o útero.

AMENORRÉIA PRIMÁRIA
É também considerada como atraso da menarca, que é a primeira menstruação. Ela é diagnostica em meninas magras demais ou que praticam esporte em excesso e chegam aos 16 anos sem menstruar por falta de gordura no corpo. Alguma gordura corporal é importante para ativar o processo de produção hormonal necessário ao estabelecimento do ciclo reprodutivo.
AMENORRÉIA SECUNDÁRIA
Ocorre entre mulheres que já menstruam normalmente mas têm o ciclo interrompido por três meses ou mais. O distúrbio afeta de 2% a 5% da população feminina em idade reprodutiva, em particular as que apresentam baixo peso e praticam atividade física de modo intenso. As bailarinas e as ginastas estão mais sujeitas ao problema do que as praticantes de outros esportes. Entre outras causas da amenorréia secundária podem estar a menopausa prematura (antes dos 40 anos), o uso prolongado de contraceptivo à base de progesterona como o depo-provera, o estresse emocional, a perda de peso repentina, a obesidade, distúrbios endócrinos como o hipertireodismo ou doença crônica como fibrose cística, além da existência de tumores ovarianos.
SINTOMAS
A ausência da menstruação já é um sintoma, mas pode ocorrer associada a outras manifestações como acne, crescimento de pêlos no rosto e no corpo, ressecamento da pele, perda de cabelo e sensibilidade maior a baixas temperaturas.
DIAGNÓSTICO
Diagnosticar a origem da amenorréia secundária não é uma tarefa simples, uma vez que o distúrbio pode ter várias causas. Os médicos costumam pedir exames de sangue para verificar o nível dos hormônios envolvidos no ciclo reprodutivo e verificar se a origem do problema está nos ovários ou no hipotálamo, onde começa o processo de produção hormonal. Dosagem dos hormônios tireoideanos e da produção das glândulas adrenais podem ser necessários para verificar se os níveis estão normais. Além destes exames preliminares, seu médico ainda pode solicitar o utrassom pélvico para observar possíveis anormalidades nos órgãos reprodutivos, especialmente no útero e ovários.
TRATAMENTO
Nos casos de amenorréia primária o tratamento pode simplesmente incluir um programa de exercícios e alimentação que permita o ganho de peso adequado ao desenvolvimento e maturação dos órgãos reprodutivos. Na amenorréia secundária, a terapia mais indicada irá depender do diagnóstico. Pode envolver dieta para perda de peso, psicoterapia, no caso de estresse emocional ou o uso de suplemento hormonal para equilibrar o ciclo reprodutivo. Se a causa do distúrbio for a presença de cistos ou tumores no ovário, útero ou na hipófise o tratamento pode exigir cirurgia.

CORRIMENTOS VAGINAIS
Não existe uma pesquisa formal a respeito, mas os ginecologistas com experiência clínica calculam que mais da metade das suas consultas, atualmente, envolvem queixas sobre corrimento vaginal. E metade dos casos são autoprovocados, por produtos ou outros agentes irritantes com os quais as mulheres entram em contato, acrescenta do serviço de ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo e pesquisadora da Universidade de Cornell, em Nova York, nos Estados Unidos. Especializada em vaginose, a ginecologista afirma que os preservativos costumam estar na origem de grande parte dos casos de corrimentos crônicos. O látex das camisinhas pode provocar uma reação alérgica na vagina e desequilibrar o seu pH. O uso de produtos de higiene íntima (duchas vaginais) são outro agente irritante importante. As duchas vaginais destroem a flora benéfica de lactobacilos de Doderlein, que protegem a vagina de bactérias invasivas.
O uso de cremes vaginais sem acompanhamento médico é o outro fator potencial de corrimentos recorrentes. A maioria dos produtos usa o propileno glicol como "veículo" para incorporar o medicamento e muitas mulheres desenvolvem alergia a esta substância química. Se elas estão em tratamento médico, o ginecologista pode observar a reação, observa Iara Linhares. Existe até um medidor químico para isso, o teste Caugranulin B, que o médico deve usar para confirmar a alergia e corrigir o tratamento. "Mas é muito comum ver mulheres utilizando o mesmo creme que seu ginecologista receitou da última vez", diz a médica. "E aí se instala um círculo vicioso."
Inflamação Pélvica!
O QUE É?
É a infecção de órgãos reprodutivos femininos, localizados na pelve. Atinge predominantemente as mulheres jovens, entre os 15 e os 25 anos de idade. Embora os agentes causadores da inflamação pélvica possam ser transmitidos por relação sexual, a doença não é considerada uma DST (Doença Sexualmente Transmissível). O não-tratamento da doença pode produzir cicatrizes nos órgãos reprodutivos femininos e atrapalhar a circulação dos espermas e dos óvulos por eles, dificultando uma futura gravidez. As cicatrizes podem também favorecer a gravidez tubária (quando os óvulos fecundados permanecem em uma das trompas de falópio e não descem para o útero).
O QUE CAUSA
Bactérias como clamídia e gonococo, a mesma da gonorréia, invadem o colo do útero - que funciona como uma barreira protetora natural entre a vagina e os órgãos reprodutivos - e por esse caminho se instalam no útero, trompas de falópio entre outros anexos do sistema reprodutor feminino. O contato sexual ou algum procedimento cirúrgico (aborto, curetagem, dilatação da vagina) são as principais vias de contaminação. Outra, menos comum, é alguma infecção em órgão próximo como o apêndice, por exemplo. Não é raro o médico ter dificuldade de identificar a origem da doença.
PRINCIPAIS SINTOMAS E SINAIS
Dor na região onde se localizam os órgãos reprodutores, corrimento vaginal amarelado com odor forte e menstruação irregular. Algumas mulheres podem não apresentar qualquer sintoma.

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