6 de jul de 2011

Muco pode matar Espermatozóides

Existe um tipo de infertilidade feminina que é, no mínimo, muito curiosa. É aquela provocada pelo muco cervical hostil, que permite a passagem do espermatozóide para o útero e tubas uterinas e muda em volume e em quantidade na ovulação.


Por problemas de acidez, causada por distúrbios na ovulação, ou fator imunológico, o muco acaba matando os espermatozóides durante a migração para o local da fecundação (terço distal da trompa de falópio).

Alguns casais se assustam quando recebem o resultado do teste pós-coital (determina a qualidade e quantidade do muco cervical e o número e mobilidade dos espermatozóides no muco no momento da ovulação e após uma relação sexual ter ocorrido) mostrando a "matança" dos espermatozóides.

Nesse teste, geralmente, também é avaliado se a qualidade e a consistência do muco cervical é adequada para a função espermática normal e sua sobrevivência.

Antes de se descabelarem, saibam que há controvérsias. Muitos médicos não acreditam na eficácia do teste pós-coital. É o caso do especialista em reprodução assistida Eduardo Motta. Segundo ele, 70% dos casais que tiveram um teste pós-coital ruim conseguem engravidar naturalmente. Ou seja, isoladamente, o exame não quer dizer muita coisa.

No máximo, ele pode apontar outros problemas, que podem ser detectados de maneira muito mais simples. A hostilidade de um muco cervical pode ser provocada, por exemplo, pela baixa taxa de estrógeno. Uma estimulação ovariana com hormônios seguida de inseminação intra-uterina pode resolver isso, segundo Eduardo Motta.

Essa técnica consiste na injeção de espermatozóides vivos dentro do útero geralmente 36 horas após a ovulação. Mas para que a técnica tenha bons resultados é imprescindível que as trompas estejam permeáveis e que o número e qualidade dos espermatozóides sejam razoáveis. Também é necessário que o médico faça uma detecção precisa do momento da ovulação. A inseminação intra-uterina deverá ser realizada momentos antes ou imediatamente após a liberação do óvulo na cavidade abdominal. As chances de gravidez são de cerca de 30%.

Nos casos em que o homem tem uma ejaculação retrógrada (emissão de sêmen para dentro da bexiga), o procedimento é diferente. Os espermatozóides devem ser recolhidos rapidamente da urina, lavados e isolados em meio de cultura para posterior inseminação.

Moral da história: em casos controversos, como esse do muco, é sempre bom ouvir a opinião de outros médicos. Nada de ficar sofrendo por antecipação, ok? 




Fonte/créditos:http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/querosermae/ult601u33.shtml

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