3 de mai de 2011

40 ou 50 anos: quando iniciar a mamografia?


Acima das polêmicas no meio médico, há uma verdade que prevalece: a mamografia ainda é o melhor caminho para prevenir o câncer de mama. Portanto, quanto antes melhor.
O câncer de mama é o que mais afeta a população feminina e está entre as principais causas de morte em mulheres. Serão 49 mil novos casos em 2010 no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA). O dado positivo é que, se diagnosticado precocemente, esse tipo de câncer apresenta chances de cura superiores a 90%. E os exames preventivos, principalmente a mamografia, são a melhor forma de se detectar problemas logo no início.
No entanto, médicos de alguns países têm recomendado adiar a realização regular de mamografia para depois dos 50 anos, com base na análise dos resultados de programas de redução da mortalidade por câncer de mama. Em 2009, houve pelo menos três estudos publicados nesse sentido, sendo que o último foi realizado pela Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos, grupo independente do governo norte-americano, e ganhou destaque nos meios de comunicação, alimentando polêmicas no meio médico e fora dele.
Em linhas gerais, o que esses estudos afirmam é que a realização periódica de mamografias nos programas de redução de mortalidade gerou um aumento de diagnósticos e tratamentos precoces, porém não diminuiu o número de diagnósticos de cânceres mais agressivos, como era de se esperar. Apesar de ter havido de fato uma redução na mortalidade, os médicos acreditam que esse fator pode estar mais relacionado com a biologia do tumor do que com o diagnóstico precoce. Ou seja, as mortes seriam por aqueles tipos de tumor que evoluiriam inevitavelmente para formas mais agressivas.
Sendo assim, a conclusão desses médicos é que as mamografias realizadas na população de 40 a 50 anos estariam gerando um excesso de diagnósticos precoces, desencadeando tratamentos de tumores que nunca trariam efeitos para a saúde da mulher, sendo, portanto, desnecessárias. A recomendação seria que o exame começasse a ser feito apenas a partir dos 50 anos, quando é mais expressiva a proporção de mortes evitadas.
Medicina é a ciência da vida. Em se tratando de câncer da mama, isso significa continuar aplicando o que temos de melhor: o diagnóstico mais precoce
É verdade que alguns casos não terão cura independentemente da precocidade do diagnóstico. Mas igualmente verdadeiro é o fato de que, hoje, não dispomos de uma boa tecnologia diagnóstica que permita identificar esses tumores. Ou seja, as recomendações desses grupos podem até fazer sentido na perspectiva meramente estatística, para justificar prioridades no orçamento de saúde dos governos. Contudo, não fazem sentido do ponto de vista individual.
A medicina é a ciência da vida. Em se tratando de câncer da mama, isso significa continuar aplicando o que temos de melhor: o diagnóstico mais precoce, que traz a possibilidade de cura. Quando um médico trata um paciente, não pode ter certeza de que, sem esse tratamento, haveria evolução para um câncer mais agressivo ou até para o óbito. O que se sabe é que medidas preventivas e diagnóstico precoce evitam muitos casos graves. É até possível que haja diagnósticos e tratamentos precoces em excesso. Mas isso não é condenável quando o objetivo é zelar pela saúde e pela vida. Condenável é ignorar os recursos de que a medicina dispõe para evitar a doença e a morte.
Assim, no combate ao câncer de mama, o melhor é manter a mamografia a partir dos 40 anos, uma vez por ano, e antes disso para as mulheres pertencentes ao grupo de alto risco, que inclui histórico familiar de câncer de mama ou de ovário, exposição anterior a tratamento radioterápico no tórax e biópsias de lesões mamárias benignas precursoras (alterações pré-malignas prévias), entre outros fatores.
Quem já passou por isso
Ana, 46 anos, teve um nódulo de menos de 1 centímetro detectado em uma mamografia, no final de 2009. Surpreendida com o diagnóstico, pois sempre fez todos os exames de acompanhamento, não tem histórico familiar, cultiva uma alimentação saudável e pratica atividade física frequentemente, Ana foi tratada através de uma cirurgia, que retirou o nódulo e a mama por completo, que foi imediatamente reconstruída, ainda durante o procedimento.
O exame ajudou Ana a ser poupada da quimioterapia, algo que ela temia bastante, em virtude de seus efeitos colaterais.
Com o diagnóstico confirmado, procurei um mastologista e em menos de dois meses já tinha sido operada
“Para mim foi uma grande surpresa, pois havia feito todos os exames de rotina do meu check-up ginecológico há quatro meses, com todos os resultados normais. Só depois disso comecei a sentir que existia uma pontinha na lateral da mama direita, bem próxima às axilas. Imediatamente procurei meu ginecologista, que solicitou um ultra-som e também a mamografia. Com o diagnóstico confirmado, procurei um mastologista e em menos de dois meses já tinha sido operada. Eu nunca tive nenhum problema sério, sempre fui muito “disciplinada” em relação a minha saúde, e, por isso, fiquei muito abalada com este diagnóstico. Mas, depois compreendi que é assim mesmo, muitos casos de câncer simplesmente ainda não têm uma explicação de sua origem. No meu caso, identifiquei rapidamente e ainda era um tumor pequeno. Acho imprescindível que as mulheres façam os exames preventivamente. A mamografia é como outro exame qualquer, é um pouco desagradável mas tem que fazer. Em apenas 10 dias eu já estava retomando minha vida normal, fui viajar, e já conseguia dar um passeio na praia no final de tarde. Graças ao diagnóstico precoce e a minha rotina saudável de vida, minha recuperação foi rápida”.
A ONG Susan G. Komen for the Cure, que no Brasil é parceira do Hospital Israelita Albert Einstein e desenvolve alguns projetos para a Iniciativa Global para Conscientização Nacional do Câncer de Mama, continua recomendando que a mulher conheça a sua mama, conheça seu risco, faça exame clínico anualmente e a mamografia a partir dos 40 anos
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