26 de mai de 2011

Duvidas freqüentes para grávidas


1) Como calcular a idade gestacional?
A idade da gestação é definida como o tempo transcorrido entre o primeiro dia da última menstruação (DUM) até a data atual (dia em que está realizando o cálculo) . Pode ser aferido em dias, semanas ou meses completos.

Deve-se salientar a diferença entre a idade embriológica da gestação e a idade obstétrica da gestação.
A idade embriológica é contada a partir da fecundação do óvulo. Por não ser possível, na maioria das vezes, determinar a data correta da ovulação e, portanto, da fecundação, convencionou-se datar a gravidez pelo primeiro dia da última menstruação (DUM), sendo esta chamada de idade obstétrica ou idade menstrual da gestação.

Ao dizer que uma gestante tem 10 semanas de gestação, tanto o obstetra quanto o ultra-sonografista estão simplesmente estabelecendo um critério temporal, ou seja, fazendo contas do tempo transcorrido entre a DUM e a data atual (10 semanas), tendo a mesma engravidado há cerca de 8 semanas. Ou seja, como a ovulação (período fértil) ocorre, supostamente, 14 dias após a menstruação, o início do desenvolvimento do embrião ocorre duas semanas após a DUM.
2) Quanto tempo dura a gestação?
Tendo como base o primeiro dia da última menstruação (DUM), a gestação dura, em média, 280 dias, 40 semanas ou 10 meses lunares ou 9 meses solares e 7 dias.

Assim, para calcular a data provável do parto (DPP) basta somar 280 dias à DUM, sendo encontrada a data em que se completa 40 semanas. Não se deve esquecer que a duração da gestação varia de acordo com as características de cada mãe e bebê.
Uma forma fácil de calcular a DPP é conseguida somando-se 7 dias ao primeiro dia da última menstruação e 9 meses ao mês em que a mesma ocorreu.
Exemplo: DUM = 03/02/2004 ? DPP = 03 + 7 = 10 ? DPP = 10/11/2004.
02 + 9 = 11
É considerada gestação a termo (quando o bebê não é mais considerado prematuro) a partir de 37 semanas completas e 42 semanas incompletas de gravidez. A gestação só é considerada prolongada (também conhecida como gestação pós-termo ou serotimia) quando com duração igual ou maior que 42 semanas completas (maior ou igual a 294 dias).

Nos casos em que não se sabe a DUM, o cálculo da idade gestacional será feito baseado na ultra-sonografia (USG), a qual é tanto mais precisa quanto mais precocemente é realizada. A grosso modo, no primeiro trimestre da gestação a USG tem um intervalo de confiança (um coeficiente de acerto) em datar a gestação, de mais ou menos 1 semana, no segundo trimestre essa variação é de mais ou menos 2 semanas, enquanto no terceiro trimestre é de mais ou menos 3 semanas. Em outras palavras, na avaliação ultra-sonográfica mais precoce podemos estimar a idade gestacional com muito menos erro. 
3) Qual a alimentação ideal para a gestante?
Alimentar-se apropriadamente durante a gravidez é uma maneira de assegurar o bem-estar de seu bebê e também ajudará a gestante a sentir-se melhor durante este período de grande esforço físico.

Na alimentação da gestante, a qualidade dos alimentos é muito mais importante que a quantidade.

Os nutrientes no organismo da gestante estão alterados pela ação de hormônios, pela alteração da função renal e maior retenção de líquido nesse período.

A dieta recomendada para a gestante é hiperproteica (rica em proteínas), hipoglicídica e hipolipídica (pouco açúcar e gordura).
A dieta rica em proteínas é essencial para o crescimento do feto, placenta e tecidos maternos envolvidos na reprodução. As proteínas provêm de produtos de origem animal e vegetal como a carne, peixe, os ovos, leite, soja.

Os carboidratos encontram-se nas frutas, vegetais e cereais. Estes açúcares e amidos fornecem energia ao corpo.

Lembre-se que a gordura encontra-se na manteiga, margarina, queijo cremoso, maionese, óleo e outros produtos de origem animal.

As vitaminas e minerais são essenciais para que o corpo funcione bem, e para o desenvolvimento apropriado do seu bebê.

Uma dieta balanceada, rica em frutas, vegetais, cereais e alimentos de origem animal, normalmente garante a maioria dos nutrientes e vitaminas necessários à gestante e seu bebê.

O cálcio juntamente com o fósforo e a vitamina D é essencial para a correta calcificação dos ossos e dentes do bebê. Normalmente as necessidades diárias desses elementos são supridas pela dieta com leite e exposição ao sol.

Apesar de uma dieta com alimentos de alta qualidade conter a maioria das vitaminas e minerais, seu médico pode receitar suplementos para assegurar a quantidade adequada de alguns nutrientes.
  • Ferro: há necessidade adicional de ferro durante e depois da gestação, principalmente no segundo e terceiro trimestres, sendo comum a ocorrência de anemia na gestação devido ao aumento do volume sanguíneo da mulher grávida e às demandas necessárias ao crescimento fetal. Mesmo as grávidas com alimentação balanceada podem necessitar da suplementação desse elemento.
  • Ácido fólico: Também merece destaque, sendo necessário para o desenvolvimento de novas células sangüíneas do bebê. A suplementação de 5 mg/dia de ácido fólico 3 meses antes e até a 14ª semana de gestação diminui o risco de defeitos abertos do tubo neural do feto (exemplo: espinha bífida e mielomeningocele), estando a deficiência de folato associada também à outras complicações na gravidez. O ácido fólico pode ser encontrado em alimentos como fígado, feijão, aspargo, brócolis, espinafre e laranjas.
A vitamina C ajuda a aumentar a resistência à infecções, mantém saudáveis os ossos e músculos, sendo também importante para a absorção do ferro.
A vitamina A ajuda a manter a pele saudável e estimula o funcionamento normal da tiróide, a qual controla o metabolismo do corpo.

Durante a gravidez, deve-se evitar o uso excessivo de vitaminas e minerais que não sejam receitadas ou aprovadas pelo obstetra. Quando são ingeridas em quantidades superiores ao indicado, vitaminas como A, B6 e D podem causar problemas tanto para mãe quanto para o bebê.
Limitar o consumo de sal na dieta não é recomendado durante a gravidez. Porém, se a paciente tiver hipertensão arterial crônica, deve ser orientada pelo seu médico quanto a restrição desse elemento na dieta. Os alimentos que contém altos níveis de sal incluem carnes processadas, sopas enlatadas, salgadinhos, batata frita, comidas congeladas e pizza.

Beber bastante líquido. Beber líquido regula a temperatura do corpo, diminui a constipação, infecção urinária, reduz as contrações uterinas e hidrata os lábios e a pele. A dieta diária deve incluir de 2 a 3 litros de líquidos/dia, incluindo água, suco de vegetais, leite, suco de frutas, etc.

Os adoçantes artificiais, como sacarina e aspartame, devem ser evitados durante a gravidez.

A cafeína é uma droga estimulante, podendo ser encontrada no café, no chá preto, chocolate, refrescos à base de cola e alguns medicamentos. Já que os efeitos da cafeína na gestação humana não são claros, por segurança, deve-se evitar a cafeína durante a gravidez ou limitar a sua ingestão a apenas 200 ml de bebidas que contenham cafeína, como: café, chá preto, refrigerante (coca-cola e pepsi), chocolate e achocolatados.

O álcool não deve ser ingerido durante a gestação. A quantidade segura para o consumo do mesmo ainda não foi estabelecida, portanto, por prudência, aconselha-se não ingerir o mesmo.

O álcool ultrapassa a barreira placentária, alcançando a circulação fetal. O consumo de bebidas alcoólicas durante a gravidez é causa importante de retardo mental e defeitos congênitos, podendo causar abortamento.

A Síndrome alcoólica fetal está associada à ingestão de quantidades excessivas de bebida alcoólica, por períodos prolongados durante a gravidez. O agravamento da Síndrome alcoólica fetal depende da quantidade de álcool que a mãe consumiu. Quanto mais alta for a quantidade de álcool ingerido pela mãe, mais perigosa será a doença do bebê. Bebês afetados pela Síndrome de alcoolismo têm problemas físicos e mentais, os quais incluem retardo mental, atraso no crescimento e desenvolvimento, problemas de coração, cabeça pequena e traços anormais nos olhos. Estes bebês são menores, alimentam-se pouco, irritam-se com facilidade e têm o choro muito agudo.

No entanto, estudos têm mostrado que mesmo quantidades pequenas de álcool podem gerar complicações. Recomenda-se que gestantes ou mulheres que estejam planejando engravidar não utilizem bebida alcoólica. em hipótese alguma.

Conselhos Para Uma Boa Alimentação

De uma forma geral, a gestante deve fracionar a sua dieta de forma a comer pequena quantidade de alimentos de fácil digestão com intervalos curtos entre uma refeição e outra, pois a gestante tem esvaziamento gástrico e motilidade intestinal mais lenta quando comparados às mulheres não grávidas, devido à ação hormonal e associação à compressão das estruturas abdominais pelo útero gravídico (que está crescendo).

Deve-se procurar:
  • Comer alimentos variados.
  • Escolher em primeiro lugar as frutas frescas.
  • Diminuir a carne gordurosa, preferir assar ou grelhar a carne.
  • Evitar biscoitos doces, tortas e refrigerantes gasosos, pois não têm nenhum valor nutritivo.
  • Conversar com seu médico, expor suas dúvidas. Seu médico falará sobre a importância de uma boa nutrição.

4) O que é possível fazer para melhorar as náuseas e os vômitos?
As náuseas são os sintomas mais comuns do início da gestação, desaparecendo normalmente quando termina o primeiro trimestre.
A causa provável das náuseas serem piores nessa fase da gestação é a gonadotrofina coriônica humana (hCG). O hCG é sintetizado pela placenta e alcança níveis máximos por volta da 12ª semana de gestação. O fato das náuseas e vômitos serem piores em pacientes com condições que aumentam os níveis desse hormônio, como gestação gemelar e neoplasia trofoblástica gestacional, falam a favor dessa hipótese.

Há também a associação de fatores psicológicos envolvidos na potencialização das náuseas e vômitos, sendo mais comuns esses sintomas em gestações não planejadas e de risco, e pouco freqüentes em mulheres nas quais a gestação é diagnosticada tardiamente (após o primeiro trimestre).
Esses sintomas são mais intensos pela manhã e após jejum prolongado. Sendo piorados por cheiros (de alimentos, cigarro, etc) e paladar (pasta de dente, doces, alimentos específicos, variando para cada gestante).
Para melhorar as náuseas e vômitos é recomendado:
  • Evitar jejuns prolongados, fracionando as dietas.
  • Ingestão de alimentos secos (pão, torrada), ricos em carboidratos (de fácil digestão e fonte de energia).
  • Ingestão de líquidos (gelados normalmente têm melhor aceitação).
  • Eliminar frituras, condimentos e alimentos que causem piora dos sintomas.
  • Apoio psicológico.
Caso essas medidas não melhorem as náuseas e os vômitos, a gestante deve conversar com seu médico de forma que o mesmo possa avaliar a necessidade de prescrição de medicamentos ou outras condutas que ajudem a gestante a conseguir uma nutrição adequada no início e durante a sua gestação. 
5) Qual o exercício ideal para a gestante? Eles são importantes?
Deve-se individualizar o aconselhamento de cada gestante quanto às suas rotinas e seus hábitos de vida. A atividade física (ou seja, qualquer movimento corporal que gere aumento do gasto energético acima do basal) praticada durante a gravidez ainda é uma área que necessita de um maior número de pesquisas científicas adequadas.

A mulher que se exercita antes e durante a gestação tende a pesar menos e retornará ao seu estado pré-gravídico com mais rapidez.
Exercícios aeróbicos leves e moderados em gestantes saudáveis e bem nutridas não afetam as características do bebê, como peso e altura, e não aumentam a incidência de abortamento.

A escolha do exercício dependerá da preferência da gestante, da capacidade física da mesma (o que ela estava acostumada a praticar antes da gestação) e dos recursos disponíveis para a sua realização.

As atividades físicas consideradas de baixo risco são as mais indicadas para as gestantes.

São exemplos de atividades de baixo risco: caminhada, natação, hidroginástica leve, bicicleta ergométrica sem carga, ioga. Sendo estas as atividades de eleição para as grávidas saudáveis, inclusive as previamente sedentárias.

Exercícios na água têm vantagens adicionais para as gestantes por minimizar os impactos articulares, já importantes na gestação, por melhorar a regulação da temperatura corporal durante o exercício e por estimular efeitos natriuréticos e diuréticos (menor absorção de água e sal), causados pela pressão da água sobre o corpo da grávida. A hidroginástica tem vantagens sobre a natação por não aumentar a sobrecarga sobre a coluna lombar (causada pela posição assumida durante a natação). A temperatura ideal da água é 28? a 30?C, já que temperaturas maiores podem levar a vasodilatação e menores a vasoconstrição.

O ioga e o tai-chi-chuan são alternativos para manter a flexibilidade e o tônus muscular.

As vantagens da atividade física na gestação incluem os benefícios ao organismo/físicos e os psicológicos, incluindo: menor ganho de peso, diminuição das complicações materno-fetais, menor incidência de cesárea, menor duração do trabalho de parto, menor tempo de hospitalização e melhora da capacidade física materna.

Há também as vantagens psíquicas e sociais, como melhora da auto-estima, da auto-imagem, da sensação de bem-estar e diminuição da ansiedade, do estresse, da sensação de isolamento social e do risco de depressão.

Durante a realização das atividades de baixo risco deve-se tomar precauções quanto: terreno, temperatura ambiental, aquecimento prévio ao exercício, calçado, hidratação e alimentação, evitando-se fases anaeróbicas de exercício (curta duração e alta intensidade).
Uma das maiores preocupações em relação aos exercícios é o comportamento dos níveis de glicose no sangue, a qual é muito sensível às condições físicas individuais e ao tipo, intensidade e duração dos exercícios físicos. A glicemia materna mantém-se estável durante a realização de exercícios de intensidade leve a moderada, mas o exercício prolongado e extenuante pode induzir à diminuição da mesma, principalmente no final da gestação, podendo ter efeitos adversos sobre o bebê. Deve-se evitar exercícios ou esforços físicos caso a grávida esteja em jejum.
A presença de dor, contrações uterinas, desmaios, palpitações, náuseas, vômitos, ou qualquer alteração durante o exercício indicam necessidade de reavaliação do mesmo e até sua suspensão. A gestante não deve fazer exercícios por conta própria, devendo sempre ser orientada e acompanhada por um profissional da área, e orientada também pelo seu obstetra.
Na realização de qualquer atividade física, tanto as gestantes previamente sedentárias como as atletas devem ser orientadas a:
  • Evitar aumento da temperatura corporal (ingerindo no mínimo um copo de água a cada 15 minutos de exercício, prevenindo a desidratação e evitando ambientes muito quentes);
  • Evitar fases anaeróbicas do exercício (curta duração e alta intensidade);
  • Evitar exaustão e fadiga;
  • Evitar exercícios em posição de costas (principalmente a partir do sexto mês);
  • Evitar manobra de Valsalva (apnéia inspiratória);
  • Realizar aquecimento antes do exercício e alongamento após;
  • Alimentação adequada.

6) Qual o ganho de peso ideal para a gestante?
A mulher grávida ganha em média 12,5 Kg durante toda a gestação. O ganho de peso ideal durante a gestação depende do peso da gestante antes da mesma. Se o peso anterior à gestação for normal para a altura, um aumento de 11,3 a 15,8 kg geralmente é recomendado. Em gestantes com peso abaixo do normal para a altura, recomenda-se um maior ganho de peso e para aquelas acima do peso ideal, recomenda-se menor ganho. Alimentando-se corretamente você evitará aumento de peso excessivo.

O aumento do peso durante a gestação está relacionado ao aumento do útero, peso fetal e da placenta, líquido amniótico, crescimento das mamas, retenção de líquido, aumento do volume sanguíneo e das reservas do organismo materno.

Em uma gestante que ganhou 12,7 kg no final da gestação, este peso será distribuído aproximadamente da seguinte forma:

Bebê: 3,40 kg
Placenta = 0,45 kg
Líquido amniótico = 0,90 kg
Útero = 1,30 kg
Mamas = 1,36 kg
Sangue materno = 1,81 kg
Gordura materna = 3,62 kg
O ganho excessivo de peso prejudica a gestante, tornado as limitações físicas decorrentes da gestação mais pronunciadas, aumentando o cansaço materno, além de prejudicar a recuperação após o parto e principalmente, aumenta os riscos de complicações na gestação, como hipertensão e diabetes, gerando, com isso, riscos também para o feto, podendo o peso excessivo fetal, quando presente, prejudicar e complicar o parto.
Por outro lado, deve-se atentar para que o baixo ganho de peso não esteja relacionado a uma nutrição inadequada. Devendo estar atento para que sejam ingeridos os nutrientes necessários ao desenvolvimento, crescimento fetal e suprimento das necessidades do organismo materno.

7) O acompanhamento pré-natal é essencial para a gestação?
A medicina preventiva é o melhor caminho para cuidarmos da nossa saúde. O acompanhamento pré-natal tem como objetivos principais: aconselhamento da gestante e familiares para que a gestação transcorra com tranqüilidade e rastreamento clínico e laboratorial de qualquer intercorrência que possa afetar a mãe e seu bebê.

Aproximadamente 90% das gestantes não apresentam fatores que colocam em risco a sua saúde e de seu bebê. No entanto, mesmo as pacientes ditas de baixo-risco devem ter acompanhamento contínuo, pois dessa forma podemos prevenir e diagnosticar precocemente diversas patologias, aumentando a possibilidade de êxito do seu tratamento.
O Ministério da Saúde (MS) preconiza que deveriam ser realizadas pelo menos seis consultas durante a gestação, sendo a qualidade das mesmas meta importante do governo, já que a melhor qualidade da assistência pré-natal reflete em redução das elevadas taxas de mortalidade materna encontradas no nosso país, problema associado, na maioria dos casos, à precariedade da assistência pré-natal.
Os bons resultados da gestação são diretamente proporcionais à precocidade do início do acompanhamento pré-natal, da freqüência e qualidade do mesmo.
8) Quando é possível notar os movimentos do bebê?
Desde o período embrionário já existem os movimentos do seu bebê. No entanto, como ele é muito pequeno, não é possível notar os mesmos. Mas é possível observá-los durante exame ultra-sonográfico.
A partir de 16 a 20 semanas, dependendo de cada mãe é possível perceber a movimentação fetal, que podem ser referidas como ondulações abdominais (as mulheres grávidas pela primeira vez normalmente notam mais tardiamente os movimentos do bebê quando comparadas àquelas que já estiveram grávidas antes).
À medida que a gestação evolui os movimentos do bebê se tornam mais evidentes e freqüentes. A movimentação fetal é normal, portanto não há razão para se preocupar com o bebê que “mexe demais!” Vale também lembrar, que um bebê não mexe igual ao outro, e que o fato de um bebê mexer menos que outro não quer dizer que ele não seja tão saudável quanto, ele é apenas diferente.
Com a aproximação do final da gestação, é normal a mãe referir que seu bebê não mexe tanto quanto antes, o que se justifica pelo fato de não haver mais tanto “espaço” para a movimentação fetal. Porém, qualquer dúvida quanto a seu bebê estar se movimentando pouco, converse com seu obstetra, é muito importante que ele saiba quais são suas dúvidas para que ele possa avaliá-las e tomar as providências que ache necessário.
9) A gestante pode continuar trabalhando? Quais os cuidados a tomar?
O trabalho constitui motivação para a gestante, proporcionando bem estar físico e, principalmente, mental para a mulher.
De uma forma geral, a gestante não deve parar de trabalhar durante a gestação. Deve-se, no entanto, atentar para as modificações físicas impostas pela gravidez.
Funções que exijam esforço físico extenuante, carga horária excessiva e atividades em que se fique em pé por períodos maiores que 6 horas são considerados como de risco para a gravidez, levando ao aumento de casos de abortamento, parto prematuro, baixo peso ao nascimento e aumento de pressão arterial materna. As atividades que exigem contato com agentes químicos merecem cuidado e atenção pelo risco de contaminação materna e fetal.
De uma forma geral, as gestantes que exercem funções administrativas, técnicas, científicas, artísticas e assemelhadas são consideradas como de menor risco, devendo sempre cada caso ser avaliado separadamente.
DIREITOS NO TRABALHO (Garantidos pelas leis trabalhistas – CLT, Ministério da Saúde):
  • Sempre que a gestante for às consultas de pré-natal ou fizer algum exame necessário ao acompanhamento de sua gravidez, solicitar ao serviço de saúde uma DECLARAÇÃO DE COMPARECIMENTO. Apresentando esta declaração à sua chefia a gestante terá sua falta justificada no trabalho;
  • A gestante tem o direito de mudar de função ou setor no seu trabalho, caso o mesmo possa provocar problemas para a sua saúde ou do bebê. Para isso, deve apresentar à gerência um atestado médico comprovando que precisa mudar de função;
  • Enquanto estiver grávida, e até cinco meses após o parto, a gestante tem estabilidade no emprego e não pode ser demitida, a não ser por "justa causa", isto é, nos casos previstos pela legislação trabalhista (se cometer algum crime, como roubo ou homicídio, por exemplo);
  • A gestante tem direito a uma licença-maternidade de 120 dias - recebendo salário integral e benefícios legais - a partir do oitavo mês de gestação;
  • Até o bebê completar seis meses, a gestante tem direito de ser dispensada do seu trabalho todos os dias, por dois períodos de trinta minutos, para amamentar;
  • O companheiro da gestante tem direito a uma licença-paternidade de cinco dias, logo após o nascimento do bebê.
10) Quais os tipos de viagens a gestante pode ou não pode fazer? Quais as precauções a tomar?
As viagens aéreas não constituem risco particular para as gestantes. No entanto, apresentam uma série de fatores que podem ser considerados como muito desgastantes para a grávida, como alterações de ritmo circadiano (quando múltiplos fusos horários são cruzados) e mudanças de temperatura, de umidade, de pressão atmosférica e exposição a ruídos. Deve-se evitar aviões de pequeno porte, mais susceptíveis a essas mudanças.
A imobilização prolongada, decorrente do espaço reduzido entre as poltronas, aumenta o risco de edema e trombose em membros inferiores, principalmente nas gestantes susceptíveis. A mulher grávida deve ser orientada a usar meias elásticas, deambular periodicamente, e movimentar os membros inferiores, particularmente nos vôos de longa duração.
Algumas empresas exigem atestado médico para permitir embarque de gestantes com mais de 30 semanas de gestação, devido à proximidade do final da gestação e, portanto, do parto.
As viagens terrestres não são consideradas como de risco para a gestação. Nas viagens longas deve-se movimentar periodicamente os membros inferiores, devendo a gestante deambular de preferência a cada duas horas.
Os cintos de segurança devem ser utilizados sobre a raiz da coxa e nunca sobre o útero.
A gestante deve viajar de preferência como passageira, evitando dirigir, principalmente na gestação avançada, quando seus reflexos estão reduzidos pela sobrecarga física imposta pela gravidez, além de aumentar o risco de trauma direto do útero pelo volante em caso de acidentes.

11) Quais os cuidados necessários em relação aos tratamentos cosméticos realizados pela gestante?
A definição de cosmético varia de país para país. No Brasil, a definição de cosmético é a mesma utilizada no EUA, que define como produtos cosméticos aqueles que limpam, embelezam, promovem atração ou alteram apenas por ação física e não fisiológica. Caso apresente ação fisiológica, sendo capaz de tratar ou prevenir doenças ou de afetar a estrutura ou a função do corpo é considerado droga ou medicamento (exemplos: anti-seborréicos, hidratantes, bronzeadores, anti-perspirantes).
De uma forma geral, os produtos cosméticos: batom, esmalte, perfume, desodorante, filtros solares, podem ser utilizados na gestação.
As tinturas de cabelo não estão contra-indicadas na gestação, mas por precaução devem ser evitadas no primeiro trimestre e devendo ser dada preferência às industrializadas, devendo ser evitadas misturas de tintas utilizadas por alguns profissionais, pois a mistura de duas ou mais cores de tintas pode gerar compostos sobre os quais não se tem controle.
Em relação aos permanentes e alisamentos não existem estudos na literatura que demonstrem o efeito das substâncias utilizadas com esse propósito sobre o feto, devendo seu uso ser cauteloso na gestação.
Os filtros solares, em especial os que não contenham o PABA (ácido para-aminobenzóico), são necessários para a proteção da pele, prevenindo o câncer e reduzindo a intensidade do cloasma gravídico (mancha escura no rosto).
Em relação aos agentes clareadores de pele, deve-se chamar a atenção para os retinóides. Alguns retinóides, como a isotretinoína, são teratogênicos (geram malformações fetais) não sendo, por esta razão, recomendados na gestação.
Os hidratantes podem e devem ser utilizados durante a gestação, aumentando a distensão da pele e auxiliando na prevenção de estrias.
Converse com seu médico sobre produtos específicos, e não use qualquer cosmético ou medicação sem o conhecimento e orientação do mesmo.

12) O tabagismo faz mal ao bebê? E o alcoolismo social?
Tabagismo
Além de todos os efeitos nocivos sabidamente conhecidos que o cigarro pode acarretar na mãe fumante (efeitos sobre seu pulmão e circulação/vasos sanguíneos), o tabagismo pode causar danos ao feto no seu crescimento e formação.
Esses efeitos nocivos podem ser decorrentes de:
  • Diminuição do transporte de oxigênio pelo sangue materno e fetal, resultando em hipoxemia (baixa de oxigênio para os órgãos e tecidos) ? efeito gerado pelo monóxido de carbono inalado.
  • Diminuição do transporte de oxigênio pelo sangue materno e fetal, resultando em hipoxemia (baixa de oxigênio para os órgãos e tecidos) ? efeito gerado pelo monóxido de carbono inalado.
  • Diminuição do transporte de nutrientes para o feto através da placenta ? efeito gerado pelo alcatrão (pela alteração do sistema enzimático placentário).
  • Aumento da resistência vascular placentária e fetal, gerando piora da hipoxemia e comprometimento do crescimento fetal ? efeito gerado pela nicotina.
A associação mais conhecida entre o tabagismo e a gestação é a restrição do crescimento fetal intra-uterino (fetos que diminuem o índice de crescimento). As gestantes tabagistas têm maior chance de ter filhos com baixo-peso ao nascimento ou podem ser gravemente comprometidos pela diminuição do fluxo sanguíneo utero-placentário e trocas através da placenta.
Outras associações descritas na literatura entre tabagismo e complicações da gestação:
  • Abortamento espontâneo.
  • Placenta prévia.
  • Descolamento prematuro da placenta.
  • Prematuridade.
  • Rotura prematura das membranas (amniorrexe prematura).
  • Óbito fetal.
  • Alteração de pressão.
  • Alterações circulatórias.
  • Acidentes tromboembólicos.
A gestante deve ser orientada a parar de fumar. Na impossibilidade de conseguir a parada, deve-se limitar ao máximo de 5 cigarros/dia, como os efeitos deletérios do tabagismo são dose-dependentes, qualquer diminuição pode trazer efeito benéfico para o feto.
Há estudos que sugerem haver diminuição de leite durante a amamentação pela mulher tabagista, além de haver distúrbios do sono e aumento de irritabilidade e de cólicas abdominais pelo lactente.
Alcoolismo Social
O álcool (etanol) passa livremente pela barreira placentária, sendo lentamente metabolizado pelo feto e considerado teratogênico (ou seja, acarreta malformação fetal).

Os efeitos sobre o feto são dose-dependentes. Como não se conhece a dose segura para uso na gestação, recomenda-se NÂO ingerir bebida alcoólica durante toda a gestação (mesmo em pequenas doses).

O consumo de álcool está relacionado a abortamentos espontâneos e síndrome alcoólica fetal, sendo as alterações tanto mais freqüentes e mais graves quanto maiores as doses ingeridas.
síndrome alcoólica fetal caracteriza-se por anomalias múltiplas funcionais e estruturais, acometendo todo o organismo fetal, podendo acarretar óbito neonatal. As anormalidades comuns incluem deficiência de crescimento (pré-natal e pós-natal), morfogênese alterada, deficiência mental e rostos característicos - olhos pequenos e ponte nasal achatada. São observadas disfunção motora fina e tremedeira no neonato.

Os filhos de mães alcoólatras apresentam também falha de desenvolvimento motor e intelectual.

Os efeitos da ingestão de álcool durante a amamentação sobre o lactente são menos intensos. A sonolência, letargia e inapetência são alguns deles.

13) Quais os cuidados no relacionamento sexual durante a gestação?
A sexualidade saudável é de difícil definição. Falar em freqüência, regularidade ou intensidade é absolutamente irrelevante. Não há um padrão de normalidade em relação à sexualidade durante a gestação ou fora dela.

É importante observar as modificações do organismo materno em cada fase da gestação, buscando-se adaptações de forma a evitar desconfortos pelo casal durante a relação sexual.

A resposta sexual, uma vez desencadeada, não se modifica através da gestação, no entanto, a libido tem diminuição significativa quando comparada à libido da mulher não-grávida (isto NÃO é uma regra e existem as variações consoantes a diversos fatores e/ou personalidades e casais). São fatores que podem contribuir para a diminuição da atividade sexual:
  • Auto-imagem negativa, comum dentre as gestantes, potencializada pelas alterações do organismo materno (mamas e abdome).
  • Cansaço, desconforto e limitações físicas impostas pela gravidez.
  • Preocupações com relação aos riscos para a gravidez e bebê (em situações normais a ATIVIDADE SAUDÁVEL NÃO COLOCA EM RISCO O BINÔMIO MATERNO-FETAL).
  • A maioria das mulheres continua a atividade sexual durante a gravidez.
A freqüência de relações, no entanto, tende a diminuir no primeiro trimestre, mantém-se constante no segundo trimestre (havendo casais que vivenciam sexualidade plena nesta fase da gestação), voltando a diminuir no terceiro trimestre.

A gestação não impede a atividade sexual. No entanto, devido ao esforço físico materno e estímulo à atividade (contração) uterina durante a relação sexual, há situações em que a atividade sexual é desaconselhada, tais como:
  • Ameaça de abortamento.
  • Sangramento transvaginal durante a gestação.
  • Ameaça de e trabalho de parto prematuro.
  • Amniorrexe prematura pré-termo.
  • Placenta prévia.
  • Cirurgias prévias de colo uterino (amputações, biópsias ampliadas).
É importante conversar com seu companheiro uma vez que a sexualidade está relacionada ao casal, devendo ser discutida, compreendida e vivenciada como tal. NÃO EXISTE UMA REGRA ABSOLUTA!

Muitas preocupações e dúvidas suas são facilmente respondidas pelo seu médico. Converse com ele!

14) Quando optar pelo parto normal ou pelo parto cesárea?
O parto normal (transvaginal) deve ser considerado como evento fisiológico em essência, necessitando de intervenção médica mínima. A aceitação do parto como evento natural não é sinônimo de omissão no acompanhamento do mesmo, mas indica a necessidade de vigilância contínua para identificação precoce dos casos que necessitam de intervenção para assegurar o bem-estar materno-fetal.

O parto normal deve ser gratificante para os pais e, principalmente, seguro para o binômio mãe-feto. Portanto, para que esses objetivos sejam alcançados, deve-se iniciar preparação para o parto normal desde o pré-natal, sendo elucidadas as dúvidas dos pais durante o mesmo e durante o parto. Há ainda que se atentar para o alívio da dor materna durante o parto e realizar monitorização contínua do bem-estar fetal de forma que a opção pelo parto normal seja justificada e segura.

A indicação da operação cesariana pode ser materna ou fetal. Dentre as indicações pode-se destacar como indicações absolutas de cesariana: placenta prévia total e desproporção céfalo-pélvica (o tamanho fetal não é compatível com a pelve materna para que seja possível a sua passagem através dela).

Outras situações, como sofrimento fetal, prolapso de cordão umbilical, prematuridade, entre outras, devem ser individualizadas, levando-se em conta, principalmente, a viabilidade fetal, a fase do trabalho de parto em que a gestante se encontra e os riscos e benefícios da operação cesariana.

A presença de um parto cesárea prévio não é indicação, por si só, de repetição de cesariana.

A gestante deve sempre ser informada quanto aos riscos e benefícios do parto cesáreo e do parto transvaginal.

“Não se devem fazer cesarianas desnecessárias e não se pode deixar de fazê-las quando necessário”. A informação é o melhor caminho para se ter um parto seguro e tranqüilo. Cada gestação deve ser conduzida individualmente, segundo as suas características e peculiaridades. NÃO COMPARE COM OUTROS CASOS. CADA CASO DEVE SER ANALISADO INDIVIDUALMENTE. MEDICINA NÃO É UMA CIÊNCIA EXATA!

15) Como se preparar para a amamentação?
O exame das mamas deve ser realizado durante o pré-natal pelo obstetra, devendo ser avaliados os mamilos (mobilidade e forma). Qualquer tipo de seio tem capacidade de produzir quantidade suficiente de leite para nutrir o recém-nato.

As gestantes com mamilos invertidos merecem orientações especiais durante todo o pré-natal, podendo ser realizadas manobras que visam a melhora do posicionamento dos mesmos.

O uso de hidrantes nas mamas e abdome auxilia no fortalecimento da pele. Deve-se evitar, no entanto, o uso de hidratantes nas aréolas e mamilos, pois eles podem prejudicar a secreção das glândulas sebáceas (presentes nestes locais), fragilizando os mesmos.

O uso de absorventes mamilares e a lavagem exaustiva dos mamilos e aréolas durante o banho, com sabonetes perfumados e soluções alcoólicas (perfumadas), devem ser desencorajados, pois enfraquecem essas regiões, predispondo problemas posteriores como fissuras mamilares.

O uso de sutiãs mantendo os seios firmes, fricções dos mamilos com toalhas felpudas após o banho e a exposição ao sol pela manhã ou ao final da tarde, por aproximadamente 15 minutos/dia, contribuem para o fortalecimento da pele e mamilos, auxiliando a amamentação.

A instrução da gestante e seus familiares sobre os benefícios da amamentação são indispensáveis para o êxito da mesma.

Felizmente não existe "leite fraco" ou "produção insuficiente de leite". Deve-se manter a calma durante a amamentação e procurar apoio sempre que sentir necessidade. Todo bebê está capacitado a mamar e toda mãe é capaz de amamentar, desde que receba orientações adequadas no pré-natal, parto e no pós-parto. Coisas como: a maneira de segurar o bebê e o modo como ele abocanha a aréola, o uso do próprio Leite Materno para tratar fissuras, etc. são simples, mas fundamentais para que você possa amamentar com sucesso o seu bebê!

16) A amamentação é insubstituível para o bebê?
Amamentar é um ato exclusivo da mulher e deve ser devidamente valorizado e apoiado.

Quando a mulher está amamentando, seu corpo volta mais rapidamente ao normal, principalmente seu útero.

A mulher que amamenta tem menos depressão pós-parto, câncer de mama e ovário no futuro e menor chance de ter osteoporose, entre outras doenças. A amamentação possibilita, ainda, a utilização do LAM - Método de Amenorréia Lactacional, que se assemelha à pílula anticoncepcional para a contracepção, se:
  • A amamentação é exclusiva (sem água, chás, em livre-demanda).
  • Existirem pelo menos 6 amamentações diárias.
  • A mulher estiver sem menstruar.
  • O bebê tiver menos de 6 meses de vida.
O Aleitamento Materno aumenta a auto-estima da mulher, estreita os laços entre a mãe e seu bebê e é fonte de prazer para ambos. Essas vantagens para a mãe que amamenta se traduzem em maior bem-estar e melhor desenvolvimento do recém-nato.

Em relação às vantagens para o recém-nato, o leite da mãe é o melhor alimento para o lactente em seu primeiro ano de vida, especialmente nos primeiros 6 meses, quando pode ser usado exclusivamente (sem água, chás, vitaminas...). O leite materno possibilita:
  • Crescimento e desenvolvimento ótimos da criança.
  • Desenvolvimentos psíquico e intelectual do bebê.
  • Proteção contra doenças como: Diabetes, Doença Celíaca, infecções respiratórias, inclusive otite, alergias, diarréia, infecções urinárias, cáries e má oclusão dentária, além de outras enfermidades. O Colostro ("leite dos primeiros dias" pós-parto) contém quase 3 vezes mais proteínas que o leite maduro, sendo grande parte destas proteínas anticorpos (Imunoglobulinas) que protegem seu bebê. Por este motivo, o colostro também é chamado de 1ª vacina. Já foi demonstrado que cada mãe produz um leite especial de acordo com as necessidades de seu bebê.
Poucas são as situações em que se deve evitar ou é contra-indicada a amamentação. Pode-se citar o uso de algumas medicações (especialmente os quimioterápicos) e infecções (exemplo: infecção pelo HIV). Converse com seu médico!

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