8 de mai de 2011

Pode se reverter a laqueadura ?


















É preciso muito diálogo entre o casal e o profissional de saúde para que esta decisão seja consciente e autônoma. A laqueadura é um procedimento que apresenta apenas 50% de chances de sucesso em sua reversão. Em alguns casos, se realizada com cuidados micro-cirúrgicos, a laqueadura pode chegar a uma taxa de reversão com 70-80% de incidência de gravidez. Mas são poucos os centros de saúde que contam com tecnologia e profissionais capacitados para realizar a reversão deste procedimento, o que dificulta o acesso a este tipo de tratamento. Antes de pensar em fazer a laqueadura é preciso buscar outros meios contraceptivos, como a pílula, o DIU ou os anticoncepcionais injetáveis.

A experiência clínica de mais de 20 anos também ensinou ao médico que a paciente que busca a reversão da laqueadura, geralmente, na época da cirurgia, tinha pouca idade e pouca experiência de vida. Elas não imaginam que podem se casar novamente e que desejarão ter filhos com o novo parceiro. Outras não contavam que o crescimento dos filhos seria tão rápido e logo o lar estaria vazio. E há também as mães cujos filhos faleceram. E além das razões particulares, há também a imposição do marido, as dificuldades financeiras e outros problemas de saúde que podem levar a mulher a operar precocemente.

O Brasil tem um dos maiores índices de laqueaduras do mundo, com 40% das mulheres em idade reprodutiva -de 10 a 49 anos- esterilizadas, ao lado da Índia e China, segundo a Organização Mundial da Saúde, (OMS). Nos Estados Unidos, esse índice é de 20% e na França, de 6 %. Tecnicamente, a laqueadura é um método definitivo de contracepção, realizado pela obstrução da tuba, que liga os ovários ao útero. Existem cerca de dez técnicas para a realização da cirurgia: Queimar as trompas e cortá-las, colocar anéis de plástico ou clipes de titânio ou mesmo fazer com fio de sutura.

A laqueadura só é recomendada sem restrições para mulheres com problemas de saúde, tais como diabetes descompensada, histórico de eclampsia e pressão alta. Métodos definitivos devem ser usados como última escolha, quando a gravidez implica em risco de vida.

A reversão da laqueadura, a salpingoplastia, é um procedimento mais complexo e poucos serviços do SUS o oferecem. Pode ser realizada por anastomose tubária microcirúrgica, via laparotomia ou via laparoscopia. Quanto mais jovem a mulher esterilizada procurar pela reversão, maior é a probabilidade de ela vir a engravidar no futuro, e quanto menor o tempo de esterilidade, maior é a chance dela engravidar.

O grau de reversibilidade varia de acordo com a lesão que a técnica cirúrgica causou. Laqueaduras feitas com anel plástico ou clipes de titânio são mais fáceis de reverter. Para as pacientes que foram submetidas à salpingectomia (retirada das trompas), a reversão é impossível. Após a reversão tubária, em média, as mulheres demoram de seis meses a um ano para conseguir engravidar, caso a recanalização seja bem sucedida.

Mas o sucesso da cirurgia, observa o médico, relaciona-se com vários outros fatores:

O comprimento e a vitalidade dos segmentos de trompas a serem unidos;

A habilidade do microcirurgião;

A idade da mulher no momento da cirurgia para reversão;

O método utilizado para laqueadura tubária;

Quantidade de tecido de cicatrização na região da cirurgia;

Qualidade do espermograma do parceiro e presença de outros fatores de infertilidade.

Após uma reversão de laqueadura tubária, o risco de uma gestação ectópica - gestação que ocorre na própria trompa - aumenta de 1 em 100 para 5 em 100 gestações. O que significa que a cada cem gestações, cinco poderão ser ectópicas. Quando as trompas reconstituídas não recuperam a função, a alternativa de tratamento seria a reprodução assistida por meio de técnicas de fertilização in vitro e da transferência de embriões.

A reversão da laqueadura tubária deve ser considerada como uma opção adequada na busca de novas gestações para mulheres mais jovens, com menos de 35 anos, sem qualquer outro fator de infertilidade além da laqueadura. As pacientes com mau prognóstico ou com idade mais avançada devem ser encaminhadas aos programas de fertilização in vitro. Tal posição é compartilhada por grandes centros de reprodução humana em países desenvolvidos, onde ambos os procedimentos são igualmente oferecidos.


Prof. Dr. Joji Ueno é ginecologista, especialista em reprodução humana, Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP, diretor da Clínica Gera.

3 Comentários:

dayanne disse...

eu fiz uma laqueadura com 22 anos no segundo filho,agora tenho 25 anos e meu filho que iria fazer 4 anos faleceu de leucemia ,como minha filha mas nova foi criada desde o 1° mês por minha mãe, fiquei sem filhos, e agora meu esposo esta me culpando e eu queria muito engravidar novamente ,eu queria muito ajuda de vocês, qualquer alternativa é bem vindo obrigado."dayanne" imperatriz-maranhão

Luluzinha e andre Santos disse...

Oi boa tarde eu fiz laqueadura a 11 anos atrás agora quero ser mãe de novo como eu faço

Luluzinha e andre Santos disse...

Oi boa tarde eu fiz laqueadura a 11 anos atrás agora quero ser mãe de novo como eu faço