31 de mai de 2012

Cross-Match e Vacina de Linfócitos Paternos, por que é preciso?


Acredita-se que o sistema imune materno possua mecanismos para reconhecimento da carga genética diferente de um feto, e com isso, consiga protegê-lo contra a destruição. Haveria, assim, a produção dos chamados anticorpos bloqueadores que protegeriam o embrião recém-implantado no útero. Este tipo de resposta recebe o nome de aloimunidade. Quando não existe grande variabilidade genética entre o homem e a mulher, mesmo que eles não sejam parentes, tais anticorpos não são produzidos, deixando o embrião susceptível ao ataque do sistema imune. Portanto, se existe certo grau de semelhança entre o HLA materno e paterno, tais anticorpos bloqueadores não serão produzidos. Sendo assim, o embrião tem maior chance de ser destruído pelo sistema imune da mãe e o quadro clínico em tais casos poderá ser reconhecido comoabortamento de repetição.

Vacina com linfócitos paternos (ILP)
É para tais casos que costumamos indicar um tratamento imunológico baseado na utilização de vacinas produzidas com linfócitos presentes no sangue do pai, que são injetados no organismo da mãe com o intuito de estimular, por uma via diferente, a produção de anticorpos contra o HLA paterno, que poderão, assim, ter o efeito protetor numa gravidez subseqüente. Esta é a teoria que justifica o tratamento de imunização com linfócitos paternos (ILP) para casos de abortamentos de repetição de causa aloimune.

Exame de Cross-Match
A avaliação da presença de tais anticorpos é feita com um exame denominado Cross-Match, que pesquisa a existência de anticorpos contra linfócitos paternos no sangue da mãe. Existem diferentes métodos para a detecção desses anticorpos no soro materno, tais como a microlinfocitotoxicidade e a Citometria de Fluxo Quantitativa, sendo somente o último indicado para a avaliação na área de reprodução, principalmente por ser mais sensível e apresentar menos variância entre resultados da mesma amostra. Os resultados dos exames de Cross-Match são usados para indicar o tratamento e para monitorizar a resposta materna à aplicação das vacinas (ILP).
Após mais de 4 anos de estatística e experiência com nossas pacientes, concluímos que 3 aplicações de ILP com intervalos médios de 3 semanas são suficientes para sensibilizar a grande maioria das pacientes, e em torno de 30% dos casos necessitam de mais uma dose de reforço. Uma vez imunizada, a paciente permanece por volta de 6 meses sem a necessidade de novo tratamento, possibilitando assim durante esse período engravidar espontaneamente ou por métodos de fertilização caso seja necessário. 

É importante lembrar que todo casal deve passar por prévia consulta com médico especializado antes de qualquer tipo de tratamento. Só o médico é capaz de julgar a necessidade de exames complementares coadjuvantes bem como qual terapêutica será necessária para cada casal.




A Imunização com Linfócitos Paternos (ILP) está indicada nos casais que apresentam compatibilidade HLA e/ou não apresentam anticorpos anti-linfócitos do esposo (anticorpos bloqueadores), detectados através do resultado negativo de um exame conhecido como crossmatch ou prova cruzada com o sangue do parceiro.
O objetivo da terapia é tornar a prova cruzada positiva. A ILP consiste em imunizações intradérmicas preparada a partir de sangue do esposo e administrada, inicialmente, em 2 ocasiões com intervalo de 4 a 6 semanas. Após 1 mês da segunda imunização a paciente realiza um novo teste (prova cruzada – crossmatch) para detectar a presença de anticorpos bloqueadores.

Aproximadamente 85% das pacientes respondem ao tratamento inicial de forma plena, sendo liberada para engravidar. Os 15% restantes respondem parcialmente ou não respondem a terapia inicial, sendo indicada doses de reforço em intervalos menores, com o sangue do próprio esposo associado ou não com um doador. Após essa segunda seqüência um novo teste avalia a resposta, obtendo bons resultados na maioria dos casos.
A boa resposta a terapia depende de uma seleção adequada do casal que poderá se beneficiar com a terapia, uma avaliação do casal pré-tratamento e um controle rígido do protocolo de imunização.

As imunizações devem ser preparadas e administradas no menor intervalo possível e devem conter uma concentração mínima de 80 milhões de linfócitos. Recentemente, foi descrito uma baixa eficácia terapêutica nas imunizações que são preparadas e aplicadas de um dia para o outro.

Pacientes com teste pós-imunização positivo devem realizar imunizações de reforço a cada três meses, caso não engravide, para manter níveis elevados de anticorpos bloqueadores. Dados revelam que cerca de 80% das pacientes engravidam nos primeiros 12 meses pós-imunização, 60% nos primeiros 3 meses. No período gestacional é recomendada imunização mensal durante a primeira metade da gravidez, para manter os níveis de anticorpos bloqueadores elevados, fundamental para manutenção da gravidez.

O principal efeito da LIT é promover o aparecimento de anticorpos bloqueadores. Observa-se também, como efeito da LIT, uma diminuição da atividade das células NK e conversão da resposta Th1 em Th2. Elevação do número e atividade das células NK são indicadores de mau resultado gestacional, aborto recorrente e falhas de FIV/ET. Cerca de 80% dessas pacientes apresentam uma diminuição da atividade das células NK com a LIT.
Previamente a preparação da LIT é realizada no sangue do esposo e caso necessário do doador uma triagem rigorosa para doenças infecciosas. Pacientes com tipagem Rh negativa devem receber imunoglobulina anti-Rh após imunização.


Fonte: http://www.imunorepro.med.br/imunologia/imunizacao.html

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