7 de jun. de 2011

Exame Urocultura Indicações e como colher


urocultura, também chamada de urinocultura, ou ainda, cultura de urina, é o exame indicado para o diagnóstico da infecção urinária. Neste texto vamos abordar a forma correta de colher esta análise, quais suas indicações e falar um pouco sobre os possíveis resultados.
uroculturaEm textos distintos já abordamos dois outros tipos de exame de urina:

- EAS ou Urina tipo I
- Urina de 24 horas

O que é a urocultura 

A urocultura é o exame de urina que identifica a presença de bactérias. Como os rins e a bexiga são locais estéreis, ou seja, sem micróbios presentes, a identificação de uma bactéria na urina costuma ser um forte indicador de uma infecção urinária. É importante salientar, porém, que nem sempre a presença de bactérias indica uma infecção ativa. Algumas delas podem colonizar a uretra e a bexiga sem necessariamente causar doença.
urocultura
Colônias de bactérias no meio de cultura
A urocultura é feita através da colocação da urina em um meio propício à reprodução de bactérias, chamado meio de cultura. Caso a urina contenha germes, em 48 horas será possível identificar a formação de colônias de bactérias, podendo, deste modo, identificarmos qual tipo de bactéria está presente e quais antibióticos são eficazes em combatê-las (antibiograma).

No resultado da urocultura normalmente estão presentes o tipo de bactéria, o número de colônias formadas pela mesma e a lista de antibióticos sensíveis e resistentes. Falarei dos resultados com detalhes mais à frente.

Urocultura no diagnóstico das infecções urinárias

O melhor e o mais indicado exame para o diagnóstico de uma infecção urinária, seja ela uma infecção de bexiga, chamada de cistite, ou uma infecção dos rins, chamada de pielonefrite, é a urocultura.

Um erro muito comum, inclusive para alguns médicos, é fechar o diagnóstico de infecção urinária baseado apenas nos resultados do EAS (exame comum de urina). Muitas vezes o paciente é desnecessariamente submetido a tratamentos com antibióticos apenas por ter leucócitos na urina ou apresentar discreta hematúria.


É importante salientar que o EAS (urina tipo I) é um exame de urina que ajuda muito no diagnóstico dos males urinários, porém, ele é muito inespecífico e sozinho não deve fechar nenhum diagnóstico. Por exemplo, uma infecção urinária costuma dar leucócitos e sangue na urina, porém, outras doenças também o fazem, como cálculos renais, algumas DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e nefrites, para ficarmos apenas em 3 exemplos. 

A urocultura é o exame de urina que identifica a bactéria causadora da infecção urinária. De modo mais simples, podemos dizer que o EAS nos mostra as consequências de uma possível infecção urinária, enquanto que apenas a urocultura é capaz de identificar o germe que está causando a infecção.

Mas o meu médico diagnosticou uma cistite sem pedir exame algum. Ele está errado?

Na verdade, não. Como a cistite é muito comum em mulheres e o resultado da urocultura pode levar até 3 dias para ficar disponível, se a paciente tiver um quadro clínico muito sugestivo de infecção urinária, o médico está autorizado a tentar um curso de antibióticos sem solicitar exames de urina. 

Vantagens de se solicitar a urocultura

A urocultura é importante em alguns casos:
- Quando, após a avaliação clínica, o médico ainda não está seguro de se tratar de uma infecção urinária
- Quando o primeiro curso de antibióticos não consegue eliminar a infecção
- Quando há suspeita de pielonefrite
- Nas mulheres grávidas
- Nos casos de infecções urinárias de repetição
- Nos casos de febre sem origem definida
- Antes de procedimentos urológicos. 

Muitas vezes o médico tem certeza do diagnóstico de infecção urinária, mas pede a urocultura para ver o antibiograma e decidir qual o melhor antibiótico para o caso. Isto é muito comum naquelas mulheres com cistites de repetição que fizeram vários cursos de antibióticos ao longo da vida e já apresentam bactérias resistentes a algumas drogas.

Como colher uma urocultura 

O primeiro ponto é fazer com que o paciente entenda que a coleta da urina deve ser estéril. É imprescindível impedir a contaminação da amostra de urina por bactérias que vivam no ambiente e em nossa pele. Para tal, alguns passos devem ser seguidos:

- Limpar bem a região genital, principalmente ao redor do meato uretral (saída da uretra). O ideal é usar gazes (compressas) estéreis para limpar e depois secar a região.
- O pote usado para coletar a urina deve ser estéril. 
- Na hora de urinar, deve se evitar o contato da urina com a pele ao redor, como grandes lábios ou o prepúcio do pênis.
- O primeiro jato de urina é sempre desprezado, pois este serve apenas para limpar as impurezas que ficam na uretra. 
- A urocultura deve ser levada imediatamente para o laboratório após a sua coleta. Só é preciso refrigerá-la se o tempo entre a coleta e a entrega for muito longo.

A melhor urina para a urocultura é a primeira da manhã, pois durante a noite é quando a urina permanece por mais tempo na bexiga, favorecendo a multiplicação das bactérias. Entretanto, esta coleta de manhã nem sempre é possível pois o paciente costuma colhê-la logo após sair do consultório médico.

É bom salientar que o paciente não deve começar a tomar antibióticos antes da coleta da urina. Existe sempre a possibilidade do antibiótico não ser forte o suficiente para acabar com a infecção urinária, mas ser eficaz para impedir o crescimento das bactérias no meio de cultura, levando a um resultado falso-negativo da urocultura.

Resultados da urocultura

Uma urocultura é considerada negativa quando, após 48-72 horas de incubação da urina em meio de cultura, não se observa crescimento de colônias de bactérias.

Uma urocultura é considerada positiva quando, após este mesmo tempo, é possível identificar mais que 100.000 colônias de bactérias, chamadas de unidades formadoras de colônias (UFC). Quando a urocultura é positiva, o resultado ainda apresenta o nome da bactéria que foi identificada, junto com os antibióticos que se mostraram eficazes em impedir seu crescimento, o chamado antibiograma.

O grande problema da urocultura está quando há crescimento de colônias de bactérias, mas estas estão em quantidade menor que as 100.000 UFC. Estes valores podem ser resultados de contaminação da amostra. Atualmente só se valorizam uroculturas entre 10.000 e 100.000 UFC quando também há piúria no EAS (leucócitos na urina) e sintomas clínicos sugestivos de infecção urinária.

Valores abaixo de 10.000 UFC são considerados contaminações por bactérias da região perineal.

Há, entretanto, algumas observações a serem feitas:

- Se o paciente estiver tomando antibióticos, estes podem inibir o crescimento das bactérias, e mesmo um resultado com menos de 100.000 UFC deve ser sempre valorizado.
- Em homens, o risco de contaminação é menor, portanto, valores maiores que 10.000 UFC já devem ser valorizados.
- Quando crescem bactérias da família  Pseudomonas, Klebsiella, Enterobacter, Serratia ou Moraxella, o resultado deve ser levado em conta mesmo com contagens menores que 100.000 UFC

Conclusões

Como pôde ser visto, a urocultura deve, como qualquer análise, ser interpretadas por profissionais qualificados. É sempre bom lembrar que quem deve ser tratado é o paciente e não o resultado do exame. Via de regra, se o paciente não tem queixas de infecção urinária, não há motivos para se pedir uma urocultura. O tratamento desnecessário de contaminações ou colonizações do trato urinário sem sinais de infecção, não traz nenhum benefício e ainda pode induzir a criação de bactérias resistentes.

Urina de 24 horas Como colher e para que serve

A chamada urina de 24 horas é uma análise urinária ainda muito usada por diversos médicos para avaliar algumas alterações renais. Neste texto vamos explicar o modo correto de colher este exame, quais os seus objetivos e apontar suas vantagens e desvantagens.

Como colher a urina de 24 horas

Se você chegou até este texto é porque provavelmente o seu médico solicitou uma urina de 24 horas. Então, antes de falarmos da utilidade do exame, vamos primeiro explicar o modo correto de fazer esta análise da urina.

A urina de 24 horas é nada mais do que aquilo que o próprio nome diz: uma coleta de urina que dura 24 horas.
Urina 24h
Instruções: 

1.) O análise terá que ser feita durante 24 horas, portanto, o primeiro passo é escolher qual o intervalo mais confortável para que você colha a urina. O ideal é sempre escolher a hora em que você normalmente acorda. Vamos usar o horário de 7 horas da manhã como exemplo para o resto das instruções.

2.) Imaginemos que você irá começar a coletar a urina hoje. Ao acordar às 7h, você deve esvaziar a bexiga, urinando normalmente no vaso sanitário. Portanto, a primeira urina do dia deve ser desprezada. O exame começa na hora em que se esvazia a bexiga pela primeira vez no dia. Após urinar, anote a hora exata, pois a coleta deve terminar nesta mesma hora do dia seguinte.

Mas se o exame começa às 7 da manhã, por que então desprezar a urina desta hora?

Porque a urina que estava dentro da sua bexiga às 7h não foi produzida às 7h, mas sim durante toda a madrugada, desde a última vez que você urinou. Portanto, esvaziando-se a bexiga, colheremos apenas a urina produzida a partir das 7h da manhã.

3) Depois de esvaziar a bexiga, toda e qualquer urina deve ser guardada no mesmo recipiente (se você urina muito, pode-se usar mais de um recipiente). Não importa o volume, qualquer gota conta. Se for evacuar, não pode urinar no vaso. Se estiver tomando banho, não pode urinar no banho. Se for sair à rua, leve o recipiente junto ou não urine até voltar para casa.

O recipiente com a urina deve ser armazenado em temperatura ambiente ou dentro da geladeira. 

Por comodidade, indicamos a coleta do exame durante o Domingo; deste modo você não precisa levar o recipiente para o o trabalho e ainda consegue entregá-lo no laboratório na Segunda-feira de manhã.

Se houver qualquer perda na urina, o ideal é abortar a coleta, desprezando o que já foi colhido, e reiniciá-la no dia seguinte. Uma pequena quantidade de urina perdida já é suficiente para causar erros no resultado final.

Se você colheu a urina de modo errado e não comunicou o seu médico, quem sofrerá as consequências será você mesmo, pois o clínico ira tomar decisões baseadas em um resultado errado.

4) Você deve colher toda urina até às 7h do dia seguinte, incluindo esta última. Se você por acaso acordou mais cedo e urinou às 6h, procure beber água para conseguir urinar de novo quando der 7h. Lembre-se, o exame começa quando você esvazia a bexiga às 7h, e termina quando a esvazia de novo, também às 7h. A coleta da última urina pode ter uma tolerância de 10 minutos para mais ou para menos (entre 6:50h e 7:10h)

5) Uma vez terminada a coleta de 24h, a urina no recipiente pode ficar em temperatura ambiente por até 48h, porém, o ideal é mantê-la refrigerada. Quanto mais cedo a urina for entregue no laboratório, melhor.

Por que colher urina de 24 horas e não apenas 1 ou 2 horas?

A urina de 24 horas é um exame solicitado para quantificar determinadas substâncias na urina. O EAS (urina tipo I) que é o exame de urina mais comumente solicitado, feito através de amostra, apenas detecta a presença ou não de determinadas substâncias, não sendo capaz de quantificá-las de modo acurado. Como a excreção de determinadas substâncias na urina varia muito dependendo da hora do dia, colher apenas uma amostra torna-se um exame muto falho e de difícil padronização. Quando se usa um longo período de tempo para a coleta, como 24 horas, essas variações naturais acabam sendo minimizadas.

Para que serve a urina de 24 horas?

Mais de 90% dos pedidos de urina de 24h são feitos para se avaliar duas situações:

1.) Clearance de creatinina: O clearance de creatinina é basicamente a taxa de filtração dos rins, ou seja, a medição de quantos mililitros de sangue os rins filtram por minuto. É o principal modo de avaliar a função renal. 

2.) Proteinúria: chamamos de proteinúria a presença de proteínas na urina, fato que só ocorre quando os rins estão doentes. O EAS (urina tipo 1) é capaz de detectar a presença de proteínas na urina, mas não consegue quantificá-la com exatidão. Além das proteínas totais, a urina de 24h também pode dosar a albumina na urina, chamada de albuminúria.

A nossa urina ainda é composta por várias outras substâncias, entre elas: cálcio, sódio, amônia, ureia, oxalato, citrato, magnésio, fosfato, ácido úrico etc... Portanto, além da avaliação da função renal e da quantificação da proteinúria, a urina de 24 horas também pode ser usada para quantificar todas estas substâncias. Obviamente, nem todas estas dosagens apresentam relevância clínica. Na prática médica, as comumente solicitadas são:

3.) Sódio urinário - é um modo indireto de se avaliar a quantidade de sal que o paciente ingere. Em situações normais, a quantidade de sódio que sai na urina é semelhante a quantidade consumida ao longo do dia. Muito útil na:
- Cirrose 
- Hipertensão 
- Casos de edemas 

4.) Cálcio urinário - importante na avaliação dos pacientes com cálculo renal (leia: CÁLCULO RENAL | PEDRA NOS RINS | Sintomas, causas e tratamento)

5.) Ácido úrico urinário - importante para os pacientes com gota e/ou ácido úrico elevados (leia: GOTA | ÁCIDO ÚRICO | Sintomas e dieta) e para os pacientes com cálculo renal a base de ácido úrico.

6.) Citrato - é uma substância que inibe a formação de cálculos. Pacientes com citrato urinário baixo estão sujeitos a formarem pedras nos rins.

7) Oxalato - também importante na investigação das causas de formação dos cálculos renais.

8) Potássio - útil na investigação de algumas doenças dos túbulos renais

Problemas da urina de 24 horas 

A urina de 24 horas foi durante muitos anos o melhor e mais utilizado meio para se avaliar a função dos rins. Porém, devido às inerentes dificuldades em sua coleta e aos frequentes erros que esta ocasiona, tem sido cada vez menos pedida na prática médica, principalmente entre os nefrologistas, os especialistas em rins.

O fato é que grande parte dos pacientes não colhe a urina de 24 horas de modo correto. Uma urina mal colhida gera resultados errados que mais atrapalham do que ajudam a avaliação do médico. Um agravante está no fato de que uma considerável parte dos médicos não sabe reconhecer quando a urina está colhida de modo errado. Isto faz com que condutas sejam tomadas baseadas em resultados que não correspondem com a realidade.

Para saber se a urina foi realmente colhida durante as 24 horas, basta dividir o valor da creatinina urinária pelo peso do paciente. Por exemplo, se uma pessoa de 70 kg eliminou 1400 mg de creatinina em 24 horas, isto corresponde a 20 mg/kg. 

Os valores normais são:
Homens 15 a 25 mg/kg
Mulheres 10 a 20 mg/kg

Valores abaixo ou acima destes indicam uma urina colhida de modo errado.

A urina de 24 horas nos dias de hoje

Atualmente já existem maneiras de se obter as mesmas informações da urina de 24h com exames mais simples. O cálculo da função renal, por exemplo, é atualmente feito com fórmulas matemáticas baseadas apenas na creatinina do sangue (leia: CREATININA e URÉIA| Como elas indicam lesão renal). A própria medição da proteinúria e da albuminúria também já pode ser feita de modo mais simples, apenas com uma amostra simples de urina.

A urina de 24 horas ainda é um exame útil naqueles pacientes que conseguem colhê-la corretamente. Porém, é um exame pouco confortável para o paciente e na maioria dos casos já não é mais preciso solicitá-la com frequência, já que é possível obter as mesmas informações com exames mais simples.


Exame de Urina | Leucócitos, nitritos, hemoglobina...


O exame de urina é usado como método diagnóstico complementar desde o século II. Trata-se de um exame indolor e de simples coleta, o que o torna muito menos penoso para os pacientes do que as análises de sangue, que só podem ser colhidas através de punção da veia com agulhas. 

A avaliação da urina pode nos fornecer pistas importantes sobre doenças sistêmicas, nomeadamente doenças renais.

As 3 análises de urina mais comuns são:

- EAS (elementos anormais do sedimento) ou urina tipo I
- Urina de 24 horas (leia: URINA 24 HORAS | Como colher e para que serve)
- Urinocultura (urocultura) (leia: EXAME UROCULTURA | Indicações e como colher)

Este texto é para ajudar na compreensão dos resultados das análises de urina. De modo algum o paciente deve interpretá-las sem a ajuda de um médico.

Outros textos sobre análises laboratoriais podem ser encontrados aqui:
- HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados
- CHECK-UP / EXAMES DE SANGUE
- O QUE SIGNIFICAM TGO, TGP, GAMA GT e BILIRRUBINA?
- COLESTEROL BOM (HDL) | COLESTEROL RUIM (LDL) | TRIGLICERÍDEOS
- VERMES E EXAME PARASITOLÓGICO DE FEZES 
Exame de urina - EAS
Tiras de EAS
1) EAS ou urina tipo I

O EAS é o exame de urina mais simples. Colhe-se 40-50 ml de urina em um pequeno pote de plástico. Normalmente solicitamos que se use a primeira urina da manhã e que se despreze o primeiro jato. Essa pequena quantidade de urina serve para eliminar as impurezas que possam estar no canal urinário. Em seguida enche-se o recipiente com o jato do meio.

Não é obrigatório que seja a primeira urina do dia.

A urina deve ser colhida idealmente no próprio laboratório, pois quanto mais fresca estiver, mais confiável são seus resultados. Um intervalo de mais de 2 horas entre a coleta e a avaliação normalmente invalidam qualquer resultado, principalmente se urina não tiver sido mantida sob refrigeração.
Exame de urina
O EAS é divido em 2 partes. A primeira é feita através de reações químicas e a segunda por visualização de gotas da urina pelo microscópio.

Na primeira parte mergulha-se na urina uma fita (dipstick) como as que estão na foto do início do texto e ao lado. Cada fita possuiu vários quadradinhos coloridos compostos por substâncias químicas que reagem com determinados elementos da urina. Esta parte é tão simples que pode ser feita no próprio consultório médico.
Exame de urinaApós 1 minuto, compara-se a cores dos quadradinhos com uma tabela de referência que costuma vir na embalagem das próprias fitas do EAS.
Exame de urinaAtravés destas reações e com o complemento do exame microscópico, podemos detectar a presença e a quantidade dos seguintes dados da urina:

- Densidade
- pH
- Glicose
- Proteínas
- Hemácias (sangue)
- Leucócitos
- Cetonas
- Urobilinogênio e bilirrubina
- Nitrito
- Cristais
- Células epiteliais e cilindros

Os resultados do dipstick são qualitativos e não quantitativos. A fita identifica a presença dessas substâncias, mas a quantificação é apenas aproximada. O resultado é normalmente fornecido em uma graduação de cruzes de 0 a 4.

Vamos, então, aos valores de referência:

a) Densidade:

A densidade da água pura é igual a 1000. Quanto mais próximo deste valor, mais diluída está a urina. Do mesmo modo, quanto mais afastado, mais concentrada ela está. Os valores normais variam de 1005 a 1035.

A densidade indica a concentração das substâncias sólidas diluídas na urina. Quanto menos água houver na urina, menos diluída ela estará e maior será sua densidade.

Urina com densidade próxima de 1030 indica desidratação. São muito amareladas e normalmente possuem odor forte (leia: URINA COM CHEIRO FORTE E MAL CHEIROSA)

b) pH:

A urina é naturalmente ácida, pois o rim é o principal meio de eliminação dos ácidos do organismo. Enquanto que o pH do sangue está em torno de 7,4, o pH da urina varia entre 5,5 e 7,0

Valores maiores ou igual 7 podem indicar presença de bactérias que alcalinizam a urina. Valores menores que 5,5 podem indicar acidose no sangue ou doença nos túbulos renais.

O valor mais comum é um pH por volta de 5,5-6, porém, mesmo valores acima ou abaixo dos descritos podem não necessariamente indicar alguma doença. Este resultado deve ser interpretado pelo seu médico.

c) Glicose:

Toda a glicose que é filtrada nos rins, é reabsorvida de volta para o sangue pelo túbulos renais. Deste modo, o normal é não apresentar evidências de glicose na urina.

Os doentes com diabetes mellitus costumam apresentar glicose na urina. Como a quantidade de açúcar no sangue está muito elevada, o rim acaba recebendo e filtrando também uma grande quantidade deste. O problema é que a partir de valores de glicemia acima de 180-200 mg/dL a capacidade de reabsorção do túbulo renal é ultrapassada, e o paciente acaba perdendo glicose na urina (leia: DIAGNÓSTICO E SINTOMAS DO DIABETES MELLITUS ).

Já a presença de glicose na urina sem que haja diabetes costuma ser um sinal de doença nos túbulos renais.

Portanto, só há glicose na urina se houver excesso desta no sangue ou se houver doença nos rins.

d) Proteínas:

A maioria das proteínas não são filtradas pelo rim, e por isso, em situações normais, não devem estar presentes na urina. Na verdade, existe apenas uma pequena quantidade de proteínas na urina, mas são tão poucas que não costumam ser detectadas pelo teste da fita. Portanto, o normal é a ausência de proteínas.

Existem 2 maneiras de se apresentar o resultado: em cruzes ou uma estimativa em mg/dL:

Ausência = menos que 10 mg/dL ou 0,05 g/L (valor de referência habitual)
Traços = entre 10 e 30 mg/dL
1+ = 30 mg/dl
2+ = 40 a 100 mg/dL
3+ = 150 a 350 mg/dL
4+ = Maior que 500 mg/dL

A presença de proteínas na urina se chama proteinúria, pode indicar doença renal e deve ser sempre investigada (leia: PROTEINÚRIA, URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA).

e) Hemácias na urina / hemoglobina na urina / sangue na urina:

Assim como nas proteínas, a quantidade de hemácias (glóbulos vermelhos) na urina é desprezível e não consegue ser detectada pelo exame da fita. Mais uma vez, os resultados costumam ser fornecidos em cruzes. O normal é haver ausência de hemácias (hemoglobina), ou seja, nenhuma cruz.

Como eu havia dito antes, a urina após o teste da fita, é examinada também em microscópio. Desta maneira, pode-se contar a quantidade de hemácias que estão presentes. Essa avaliação por microscópio é chamada de sedimentoscopia.

Através do microscópio consegue-se detectar qualquer presença de sangue, mesmo aquelas não detectadas pela fita. Neste caso os valores normais são descritos de 2 maneiras:

Menos que 3 a 5 hemácias por campo ou menos que 10.000 células por mL

A presença de sangue na urina chama-se hematúria, e pode ocorrer por diversos motivos, desde um falso positivo devido a menstruação, até infecções, pedras nos rins e doenças renais graves (leia: HEMATÚRIA (URINA COM SANGUE))

Uma vez detectada a hematúria, o próximo passo é avaliar a forma das hemácias em um exame chamado de dismorfismo eritrocitário. Nem todo laboratório tem gente capacitada para executar esse exame. Por isso, muitas vezes ela não é feito automaticamente. É preciso o médico solicitar especificamente essa avaliação.

A presença de hemácias dismórficas, principalmente se em mais de 50%, indica uma doença dos glomérulos (leia: O QUE É UMA GLOMERULONEFRITE ?)

f) Leucócitos ou piócitos

Os leucócitos (piócitos) são os glóbulos brancos, nossas células de defesa. A presença de leucócitos na urina costuma indicar que há atividade inflamatória nas vias urinárias (leia: O que é uma inflamação?). Em geral sugere infecção urinária, mas pode estar presente em várias outras situações, como traumas, drogas irritativas ou qualquer outra inflamação não causada por uma agente infeccioso. Podemos simplificar e dizer que leucócitos na urina significa pus na urina.

Como também são células, os leucócitos podem ser contados na sedimentoscopia. Valores normais estão abaixo dos 10.000 células por mL ou 5 células por campo

Alguns dipsticks apresentam um quadradinho para detecção de leucócitos, normalmente o resultado vem descrito como esterase leucocitária. O resultado normal é estar negativo.

g) Cetonas ou corpos cetônicos:

Os corpos cetônicos são produtos da metabolização das gorduras. Normalmente não estão presentes na urina. A sua detecção pelo dipstik pode indicar diabetes descompensado ou jejum prolongado.

f) Urobilinogênio e bilirrubina

Também normalmente ausentes na urina, podem indicar doença hepática (fígado) ou hemólise (destruição anormal das hemácias). A bilirrubina só costuma aparecer na urina quando os seus níveis sanguíneos ultrapassam 1,5 mg/dL.

g) Nitritos

A urina é rica em nitratos. A presença de bactérias na urina transforma esses nitratos em nitritos. logo, fita com nitrito positivos é um sinal da presença de bactérias. Nem todas as bactérias tem a capacidade de metabolizar o nitrato, por isso, nitrito negativo de forma alguma descarta infecção urinária.

Na verdade, o EAS apenas sugere infecção. A presença de hemácias, associado a leucócitos e nitritos positivos, fala muito a favor de infecção urinária, porém, o exame de certeza é a urocultura (explico mais abaixo).

A pesquisa do nitrito é feita através da reação de Griess, que é o nome dado a reação do nitrito com um meio ácido. Por isso, alguns laboratórios fornecem o resultado como Griess positivo ou Griess negativo, que é igual a nitrito positivo e nitrito negativo, respectivamente.

h) Cristais

Esse é talvez o resultado mais mal interpretado, tanto por pacientes como por alguns médicos. A presença de cristais na urina, principalmente de oxalato de cálcio, não tem nenhuma importância clínica. Ao contrário do que se possa imaginar, a presença de cristais não indica uma propensão a formação de cálculos renais.

Os únicos cristais com relevância clínica são:
- Cristais de cistina
- Cristais de magnésio-amônio-fosfato (estruvita)
- Cristais de tirosina
- Cristais de bilirrubina
- Cristais de colesterol

A presença de cristais de ácido úrico, se em grande quantidade, também deve ser valorizada.

i) Células epiteliais e cilindros

A presença de células epiteliais é normal. São as próprias células do trato urinário que descamam. Elas só tem valor quando presente em cilindros.

Como os túbulos renais são cilíndricos, toda vez que temos alguma substância em grande quantidade na urina, elas se agrupam em forma de um cilindro. A presença de cilindros indica que esta substância veio dos túbulos renais e não de outros pontos do trato urinário como a bexiga, ureter, próstata etc... Isto é muito relevante, por exemplo, nos casos de sangramento, onde um cilindro hemático indica o glomérulo como origem.

Os cilindros que podem indicar alguma alteração são:

- Cilindros hemáticos (sangue) = Indica glomerulonefrite
- Cilindros leucocitários = Indicam inflamação dos rins
- Cilindros epiteliais = indicam lesão dos túbulos
- Cilindros gordurosos = indicam proteinúria

Cilindros hialinos não indicam doença, mas pode ser um sinal de desidratação.

A presença de muco é inespecífica e normalmente ocorre pelo acúmulo de células epiteliais com cristais e leucócitos. Tem pouquíssima utilidade clínica. É mais uma obervação.

Em relação ao EAS (urina tipo I) é importante salientar que esta é uma análise que deve ser sempre interpretada. Os falsos positivos e negativos são muito comuns e não dá para se fechar qualquer diagnóstico apenas comparando os resultados com os valores de referência.

2) Urina de 24 horas

A urina de 24 horas é um exame cada vez menos necessário para avaliação das doenças renais. Porém, ainda é um exame muito solicitado, principalmente por médicos não nefrologistas.

A urina de 24 horas permite avaliar a excreção diária de substâncias na urina, além de calcular o clearance de creatinina (leia: VOCÊ SABE O QUE É CREATININA ?). Este exame também serve para se quantificar a quantidade de proteínas perdida na urina.

Pode-se dosar várias substâncias em uma urina de 24 horas, porém na maioria dos casos os médicos avaliam apenas a albumina, proteínas totais e o clearance de creatinina.

Valores de referência:
- Albumina : menor que 30 mg/24 horas
- Proteínas totais : menor que 150 mg/ 24 horas
- Clearance de creatinina = entre 80 e 120 ml/min*
* este valor deve ser interpretado pelo seu médico

A urina de 24 horas é chata de ser colher e atrapalha muito o dia, principalmente para as pessoas ativas. Além disso, a maioria dos doentes não consegue realizar um coleta correta. Sempre há alguém que durante algum momento do dia esquece de colher a urina. Para não ter que começar tudo de novo, muitas vezes o doente simplesmente omite este fato do médico e entrega a urina incompleta.

Quando não se colhe corretamente, o exame não tem valor nenhum. E existe como o médico descobrir através de simples cálculos se o doente colheu a urina corretamente ou não.

Como a maioria dos resultados da urina de 24 horas podem ser obtidos através de outros exames com apenas uma amostra de urina, esse tipo de análise tende a cair em desuso.

Para saber mais sobre a urina de 24 horas, leia: URINA 24 HORAS | Como colher e para que serve 

3) Urocultura (urinocultura)

A cultura de urina é o exame escolhido para o diagnóstico das infecções urinárias (leia: INFECÇÃO URINÁRIA ( CISTITE )). O EAS pode até sugerir uma infecção, mas o exame que estabelece o diagnóstico é a urocultura.

A urocultura além de identificar qual a bactéria responsável pela infecção, também nos oferece informações sobre quais antibióticos que são eficazes ou não para esta determinada bactéria.

O grande problema da cultura de urina é que se leva pelo menos 48 horas para a bactéria poder ser identificada. Como as cistites são tratadas com apenas 3 dias de antibiótico, muitas vezes o resultado do exame só sai depois que o quadro já está tratado. Se o quadro clínico for sugestivo e o EAS compatível, não é preciso solicitar urocultura.

A urocultura é importante para aqueles casos de pielonefrite (leia: PIELONEFRITE ( INFECÇÃO DOS RINS )) ou para aquelas cistites de difícil tratamento e que respondem mal aos antibióticos mais comuns.

É importante lembrar que não adianta colher a urocultura se o antibiótico já tiver sido iniciado. Neste caso a urina já está rica em anti-bacterianos, o que impede o crescimento das bactérias no laboratório.

Caso seja a vontade do médico confirmar a cura de uma infecção, a cultura de urina deve ser colhida 7 dias após o término do antibiótico.

- Em casos de infecção urinária, normalmente temos mais 100.000 UFC/ml.
- Valores entre 10.000 e 100.000 UFC/ml em geral também indicam infecção.
- Valores menores que 10.000 UFC/ml indicam contaminação da urina por outras bactérias. Porém, em selecionados casos, mesmo uma contagem tão baixa pode ser compatível com infecção, principalmente se houver um quadro clínico compatível.

2 de jun. de 2011

Esse sangramento é menstruação?


Nem sempre é muito fácil responder essa pergunta. Da mesma forma que diferenciar um sangramento esporádico de menstruação, também pode não ser muito fácil.
Menstruação, por definição é a descamação do endométrio (camada que recobre a superfície interna do útero) e se processa por ação hormonal. Quando uma gravidez não se instala no útero o endométrio descama e a representação disso é sangramento vaginal, preferencialmente, cíclico, mas também pode não ser.
Em algumas situações pode ser difícil separar uma menstruação muito escassa de um ameaço de aborto ou do sangramento que pode ocorrer na implantação do ovo na parede uterina. Os cuidados anticoncepcionais conduzirão as hipóteses.
Essa ocorrência (pequenos sangramentos) leva as mulheres a imaginar que menstruaram no início da gravidez, mas de fato isso não ocorreu.
É comum ouvir dizer que esta ou aquela mulher conheceu uma amiga ou parente que menstruou durante meses e há quem afirme que o fizeram os nove meses da gestação. Essa situação não existe.
Sangramento em gravidez pode não ser grave e nem ocorrência incomum, mas não ocorre de forma cíclica e nem na forma de menstruação. Pode inclusive não ser preocupante, mas para isto ser confirmado será necessário passar por avaliação médica. Ficar “achando” isto ou aquilo não serve.
O que sua amiga teve serve para sua amiga. O que sua amiga tomou serve para sua amiga. Pode até ser que você passe por um médico e as receitas sejam iguais, mas quem decidirá isso é o médico.
Só para não perder a oportunidade, não esquecer: grávidas não menstruam, quem não quer engravidar deve usar toda proteção possível. Camisinha é o mínimo, mas indispensável, mesmo que você confie muito no seu parceiro. As pessoas mentem.

Pseudociese



Pseudociese é o termo médico para gravidez imaginária. Cada vez mais rara de se observar pelos recursos técnicos em se descartar uma gravidez e com os tratamentos que podem ser empregados para distúrbios psicogênicos.
Esse tipo de acontecimento era mais comum em épocas em que não se conseguia determinar a presença de gravidez, exceto de forma muito tardia. Onde para fazer diagnóstico se empregava só a observação clínica. De forma que uma mulher apresentando parada nos ciclos menstruais, com aumento de peso, aumento do volume abdominal, levavam à suspeita de gravidez.
Era necessário um tempo grande de atraso menstrual (mais de 15 semanas) para que se percebesse através do toque vaginal que o útero não sofrera nenhuma alteração. O útero não gravídico tem a consistência mais firme e mede uns oito centímetros.
Os primeiros testes para gravidez surgiram muito tarde, por volta de 1964 (Galli-Maninni), e mesmo assim só diagnosticava gestações com mais de 10 semanas. Os testes modernos conseguem determinar com dois deias de atraso e em algumas situações até mesmo antes do atraso.
De qualquer forma nunca é demais relembrar que teste negativo não descarta gravidez, só não confirma. O teste positivo confirma gravidez.
Na situação de parada nas menstruações, em paciente muito desejosas de gravidez ou com alguma alteração psíquica é comum imaginar-se grávida e passar a ter muitos sintomas que comumente se associam à gravidez. Vale lembrar que o único sintoma válido para suspeitar de gravidez em fases muito precoces é o atraso menstrual.
Outros sintomas como enjoo, mal estar, sonolência, aparecimento de veias nas mamas, varizes, etc, podem acontecer na gravidez, mas isso não é “sintoma” de gravidez. Sintoma de Gravidez é atraso menstrual.
Desta forma, antigamente, um atraso menstrual podia ser interpretado como gravidez e avançar muito nessa “certeza”. Hoje é muito fácil descartar.

Mensagem de Amor :

Se hoje você acordou meio Jururu achando que nada na sua vida é resolvido preste atenção nesta mensagem divina e creia em Deus independentemente de sua crença ou religião lembremos que "Deus é um só":



Deus Disse:

Olá, eu sou Deus. Hoje eu estarei cuidando de todos os seus problemas para você.
Eu não precisarei da sua ajuda. Assim sendo, tenha um ótimo dia.
Amo você.

P.S.: E lembre-se... Se a vida te trouxer uma situação que você não consegue lidar, não tente resolvê-la por você mesmo(a)! Gentilmente, coloque na caixa APDF (Algo Para Deus fazer). Eu pegarei e colocarei dentro do MEU TEMPO. Todas as situações serão resolvidas, mas em MEU TEMPO , não no seu. Assim que esta situação for colocada nesta caixa, não se preocupe mais com ela. Em vez disso, foque em todas as coisas maravilhosas que estão presentes hoje em sua vida.

Você poderia enviar isto para um(a) amigo(a)? Ficaria grato! Não posso interferir em algo que dei de presente à humaninade... algo chamado LIVRE ARBÍTRIO, mas ficaria realmente muito feliz se pudesse passar esta mensagem adiante... Você não faz idéia de como esta mensagem pode tocar vidas!

Agora vou indo. Novamente, tenha um ótimo dia!
DEUS 


Deus têm visto suas lutas.
Deus diz: elas estão chegando ao fim!
Uma benção está vindo em sua direção.


Pense nisso todos os seus problemas por pior que seja, pra Deus não é, ele é o Deus do impossível.
  

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